POLÍCIA
Após duas décadas foragido, bicheiro Adilsinho vai para presídio federal
Audiência de custódia confirmou a prisão e autorizou a remoção para unidade do sistema penitenciário federal

Após passar duas décadas fora do alcance da Justiça, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, deixou o Rio de Janeiro sob escolta da Polícia Federal e foi encaminhado ao sistema prisional federal. A transferência para Brasília ocorreu na tarde desta sexta-feira, 27, depois que a audiência de custódia manteve a prisão preventiva.
A remoção dependia apenas de decisão do juiz corregedor federal. Até o meio da tarde, não havia confirmação oficial sobre a unidade exata que receberia o investigado.
Prisão em Cabo Frio
Adilsinho foi capturado na manhã de quinta-feira, 26, em uma casa localizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A ação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro (Ficco-RJ), força-tarefa que reúne Polícia Federal e Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Segundo as autoridades, a localização do foragido foi possível após trabalho de inteligência. Contra ele havia mandado expedido pela Justiça Federal. Além da exploração do jogo do bicho, o nome de Adilsinho aparece em investigações que apuram possível participação como mandante de homicídios.
Também foi preso na operação o policial militar Diego D'Arribada Rebello de Lima, apontado como segurança do contraventor. Ele está custodiado em uma unidade prisional da Polícia Militar, em Niterói.
Estrutura milionária
Apontado como um dos principais nomes da cúpula do jogo do bicho no estado, Adilsinho é investigado por comandar pontos na Zona Norte do Rio e na Baixada Fluminense. A polícia sustenta que o grupo também explorava máquinas caça-níqueis instaladas em bares e estabelecimentos comerciais.
De acordo com investigadores, o esquema movimentava milhões de reais por mês. Parte dos valores, conforme o Ministério Público, seria direcionada à manutenção da estrutura criminosa e à corrupção de agentes públicos.
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Relatórios apontam que a organização tinha divisão de funções, segurança armada e atuação coordenada para proteger áreas consideradas estratégicas.
Disputas e assassinatos
A Polícia Civil investiga ainda o envolvimento do grupo em mortes relacionadas à disputa por territórios do jogo do bicho. Os procedimentos tramitam sob sigilo, mas a suspeita é de que a violência tenha sido utilizada como mecanismo de intimidação.
Entre os casos citados nas apurações está o assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrido em 26 de fevereiro de 2024. Em abril daquele ano, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra Adilsinho e outros investigados. Ele é apontado como possível mandante.
Cigarros contrabandeados e suspeita de trabalho escravo
Outro eixo das investigações envolve a produção e distribuição de cigarros ilegais. Segundo a polícia, o material — geralmente oriundo do Paraguai, abastecia pontos de venda na Região Metropolitana do Rio.
A Polícia Federal estima que a atividade gere faturamento mensal mínimo de R$ 50 milhões. As apurações indicam que, desde 2018, a estrutura financiaria corrupção, expansão de atividades ilícitas no Paraná e despesas ligadas a uma vida de luxo no exterior, incluindo a compra de veículos Ferrari e de um jatinho executivo avaliado em R$ 4,5 milhões.
As investigações também apuram suspeitas de exploração de trabalhadores em condições degradantes em fábricas clandestinas de cigarros, com relatos de jornadas exaustivas e ambiente precário. O caso é acompanhado por órgãos de fiscalização.
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