POLÍCIA
Camarote na Barra é interditado em operação contra rifas ilegais
Operação Falsas Promessas 3 bloqueou R$ 230 milhões, apreendeu 'jatinho' e cumpriu mandados em dois estados

Às vésperas do Carnaval de Salvador, o Camarote 305 Salvador, localizado no bairro da Barra, um dos pontos mais nobres da festa na cidade, teve as atividades suspensas por determinação judicial, após ser apontado como peça central em um esquema milionário de lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Civil da Bahia. A medida foi cumprida nesta quarta-feira, 11, durante a deflagração da Operação Falsas Promessas 3.
Segundo as investigações, o espaço estaria sendo utilizado para esconder recursos obtidos por meio da exploração ilegal de rifas realizadas pela internet. Com base nos indícios reunidos no inquérito, a Justiça determinou a suspensão imediata das atividades do camarote.
Além da interdição do espaço, a operação resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 230 milhões em ativos financeiros e na apreensão de uma aeronave avaliada em mais de R$ 10 milhões, apontada como patrimônio adquirido com recursos ilícitos e utilizada para facilitar a mobilidade do grupo investigado.
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Mandados em dois estados
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra 13 investigados nas cidades de Salvador, Feira de Santana e Camaçari, na Bahia, além de São Paulo e São Bernardo do Campo, no estado paulista. O objetivo das diligências é recolher documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam reforçar as provas já levantadas.
A operação é conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), com apoio da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Serviço Aeropolicial (Saer).
De acordo com o diretor do Draco, delegado Fábio Lordello, o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada para movimentar valores incompatíveis com as atividades oficialmente declaradas. As apurações apontam o uso de empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e pessoas interpostas para viabilizar a lavagem de capitais. As conexões financeiras ainda estão sob aprofundamento.
“O grupo operava um esquema estruturado de lavagem de capitais por meio de empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e pessoas interpostas, movimentando valores incompatíveis com atividades lícitas declaradas. As conexões financeiras do esquema seguem sob aprofundamento investigativo”.
Histórico da investigação
A Operação Falsas Promessas já teve outras fases e levou à prisão de figuras conhecidas nas redes sociais e no universo das rifas online. Entre os alvos anteriores estão o rifeiro Ramhon Dias, José Roberto, conhecido como “Nanam Premiações”, e o influenciador Franklin Reis.
Também houve a prisão de policiais militares no curso das investigações. Um dos nomes que ganharam repercussão foi o de Lázaro Andrade, conhecido como Alexandre Tchaca, que soma mais de 220 mil seguidores nas redes sociais. Todos foram apontados como envolvidos em esquemas ligados à exploração de rifas ilegais ou à lavagem de dinheiro.
Com a terceira fase da operação, a Polícia Civil amplia o cerco ao grupo e mira a descapitalização financeira da organização, estratégia considerada fundamental no enfrentamento ao crime organizado.
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