JÚRI POPULAR
Caso Mãe Bernadete: apontado como principal executor nega crime
Josevan Dionísio dos Santos passa por júri popular nesta terça-feira, 13


Josevan Dionísio dos Santos , conhecido como “ BZ ” ou “ Buzuim ”, o terceiro acusado de assassinar a líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete , passou por júri popular nesta terça-feira, 13, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador .
Ele é apontado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) como um dos responsáveis pela execução . O acusado, no entanto, negou o crime durante o seu depoimento.
Confira momentos importantes do júri popular:
Depoimento de Josevan Dionísio dos Santos
A defesa de Mãe Bernadete contou durante o júri que existia um Instagram onde Josevan publicou fotos com armas e uma delas era a vermelha e preta utilizada no crime .
O acusado afirmou em depoimento que a arma não era dele, mas a mão que aparece segurando a arma na foto sim.
"A arma não era minha. Aquela foto que estava no celular era antiga, que eu peguei e postei. Mas não era minha aquela arma não", falou. Ele disse que não se gravou quando a foto foi tirada .
Ainda no depoimento, ele afirmou que ficou sabendo da morte de Mãe Bernadete pela televisão e repercutindo na internet .
“Aí depois já envolveram o meu nome. [...] E aí, de repente, me botaram na carta do baralho [do crime]. E aí ficou repercutindo a minha foto, minha família toda desesperada. Eu ainda pensei até em me entregar, ainda falei com a minha família que eu ia me entregar”, relata.
Ele negou conhecer Arielson da Conceição dos Santos , que já foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, em sessão realizada nos dias 13 e 14 de abril de 2026.
Eu não conhecia ele não, eu não tinha vínculo nenhum com ele. Eu conheci ele no dia que eu peguei o celular na mão dele e depois não vi mais.
Ao ser questionado sobre o que ele fez quando descobriu que estava sendo investigado pela morte de Mãe Bernadete, Josevan reafirmou que queria se entregar: "Foi por causa desse celular que complicou tudo. O celular que eu comprei na mão dele".
Por fim, o acusado disse que não tem envolvimento com a morte da Mãe da Bernadete : "Não tenho nada contra ela. Não tem porquê eu ter tirado a vida dela. Uma senhora de idade".
Depoimento do delegado Felipe Madureira
Durante o júri, o delegado da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA ) , Felipe Madureira, contou que Josevan já tinha passagem pela polícia e fazia parte da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM ). A função dele dentro da organização era cometer homicídios, revelou Madureira .
Ele também disse que o estopim do crime foi uma denúncia de que Mãe Bernadete fez à polícia para prender supostos traficantes que estavam fazendo festas do tipo paredão e vendas de drogas em uma barraca próxima à sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares , localizada no município de Simões Filho , na Região Metropolitana de Salvador (RMS) .
Ainda segundo o delegado, depois disso, o crime foi encomendado pela facção e Josevan seria o responsável por cometer o assassinato.
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Expectativa é que Josevan ganhe pena de 40 anos
O advogado da família de Mãe Bernadete e assistente de acusação, Hédio Silva , disse que, no júri de hoje, “as provas são testemunhas, quem foi no local detectado, há provas periciais e documentais, o afastamento do sigilo de celular”.
“É um conjunto probatório irrefutável, de maneira que nossa expectativa para hoje é a pena máxima, de 40 anos ”, falou.
Segundo Hédio, Josevan foi o executor principal de Mãe Bernadet e. "Ele que executou o primeiro disparo. O próprio companheiro de execução dele, o Arielson, confirmou isso. O primeiro disparo foi feito por José. Foram ocorrências de disparos. Ela foi realizada com 25 disparos ", ressaltou em entrevista concedida à imprensa.
O advogado destacou que, certamente, os defensores pretendiam fazer o trabalho deles, “mas não veem como o jurado não foi demonstrado pela robustez”.

Investigação e motivação do crime
Conforme a acusação do MP-BA, a atuação de Mãe Bernadete em defesa da comunidade quilombola e sua oposição à expansão do tráfico de drogas contidas conflitos provocados com uma organização criminosa que atuava na região .
As investigações apontam que a ordem para o assassinato teria partido de integrantes da liderança do grupo criminoso. A suspeita é de que o líder tenha sido visto como um obstáculo à criação de pontos de venda de drogas e à prática de outras atividades ilegais nas proximidades da barragem de Pitanga dos Palmares .
"O que a polícia conseguiu provar vincular a ação ao tráfico de drogas na região imposta. No início das investigações foram várias linhas investigativas.
Cinco pessoas são acusadas
Antes de Josevan, Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, em sessão realizada nos dias 13 e 14 de abril de 2026.
Arielson recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão, enquanto Marílio foi condenado a 29 anos e 9 meses , ambos em regime inicial fechado. Marílio morreu dois dias após o julgamento.
Ao todo, cinco pessoas são acusadas de envolvimento no assassinato de Mãe Bernadete.
Além de Josevan, a sessão de julgamento de Sérgio Ferreira de Jesus está marcada para 21 de outubro de 2026, também no Fórum Ruy Barbosa. Já o processo contra Ydney Carlos Santos de Jesus aguarda o trânsito em julgado e ainda não tem dados de julgamento agendada.
Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos, em agosto de 2023 , na sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
O crime teve repercussão nacional e mobilizou organizações de defesa dos direitos humanos e das comunidades quilombolas.


