CASO THAMIRIS
Caso Thamiris: quase seis meses depois, entenda como está a investigação
Adolescente desapareceu após sair da escola para ir para casa


Depois de quase seis meses do dia que marcou o início do “Caso Thamiris”, uma jovem de 14 anos que desapareceu e depois foi encontrada morta em um terreno baldio na região do Cassange, em Salvador, as investigações ainda não foram concluídas e os principais suspeitos de participarem do crime seguem em liberdade.
O advogado da família da garota, Dr. Rogério Matos, que acompanha o caso, falou com a imprensa, nesta sexta-feira, 28, sobre o andamento das investigações e quais devem ser os próximos passos das diligências.
De acordo com o advogado, o caso ainda continua na fase de inquérito policial, visto que, após o aparelho celular da garota ser encontrado, ele segue no processo de perícia no Departamento de Polícia Técnica (DPT).
Com essa perícia mais detalhada, a Polícia Civil consegue enviar um inquérito mais robusto ao Ministério Público, que pode apontar outros envolvidos no caso, comenta o advogado.

Suspeitos cada vez mais próximos da prisão
Depois de um período em que os suspeitos do caso passaram a ser presos e soltos, o advogado se mostrou confiante de que “eles seguirão denunciados e, com certeza absoluta, nessa denúncia vai ser pedida uma prisão preventiva”.
Até o momento, os principais suspeitos do caso são:
- Rodrigo Faria Sena dos Santos, conhecido como “Rodrigo Farinha”;
- Davi de Jesus Ferreira;
- Leandro de Jesus Ferreira.

Nesse caso, eles ficariam presos em um regime diferente do que já estiveram, visto que anteriormente foi decidida uma prisão temporária para os suspeitos, que possui uma data de validade.
Agora, de acordo com o advogado, é esperado que a nova sentença seja para uma prisão preventiva, essa que não possui um tempo de validade definido.
Dificuldades para a prisão preventiva imediata
Mesmo considerando um crime bárbaro, o Dr. Rogério Matos informou que existem algumas dificuldades para impor diretamente a prisão preventiva aos suspeitos.
“Todo o crime dessa brutalidade é que não são flagranteados os autores; ele passa pelo processo de investigação mais cauteloso, por isso, a autoridade policial pediu, na época, essas prisões temporárias”, informou o advogado.

Possibilidade de júri popular
O advogado revelou que o caso está sendo tratado como um crime de feminicídio com diversos qualificadores.
Por isso, o Dr. Rogério Matos aponta que, após a possível prisão preventiva, os suspeitos vão passar por um júri popular para a condenação.
Relembre o caso
A jovem Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos, desapareceu no dia 12 de março deste ano após sair da escola no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
Horas depois de o desaparecimento ser comunicado, a bolsa da garota foi encontrada abandonada em uma rua do bairro, porém, seu celular não estava lá.
Dias depois do ocorrido, o corpo da garota foi encontrado em um terreno baldio na região do Cassange, na capital baiana, encerrando as buscas e dando início a uma investigação de homicídio que mobilizou equipes da Polícia Civil.

Conforme as investigações, Thamiris teria sido atraída sob o pretexto de uma conversa com pessoas conhecidas da região.
No local, segundo a apuração da PC, ela teria sido colocada em uma situação de “interrogatório” ou “julgamento informal”, em um modelo associado ao chamado “tribunal do crime”, prática ligada a grupos criminosos.
A principal tese indica que o crime teria sido motivado por uma suposta retaliação. Conforme o Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), há indícios de que a adolescente teria sido associada a uma denúncia que resultou na prisão de um homem por violência doméstica.


