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Família fica sem energia por 5 anos após vingança de ex-marido

Caso foi revelado pelo Ministério Público de Santa Catarina após decisão judicial

Luan Julião
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Imagem ilustrativa da imagem Família fica sem energia por 5 anos após vingança de ex-marido
Foto: MPSC

Durante cinco anos, uma mulher e o filho autista enfrentaram a rotina de viver sem energia elétrica na própria residência, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O motivo, segundo a apuração do Ministério Público, teria sido uma retaliação do ex-marido após o fim do relacionamento e a solicitação de uma medida protetiva.

O caso veio à tona após atuação do Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MPSC), que detalhou que o homem passou a impedir o fornecimento de um serviço essencial depois de ser obrigado judicialmente a se afastar do imóvel. A medida protetiva foi concedida após episódios de violência doméstica.

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“Eu tomava banho em casa igual antigamente, de bacia. O vizinho me ajudou muito. Ele botou até uma extensão para botar bateria para recarregar celular. Eu tinha gaveta no freezer dele para botar carne”, relatou em vídeo divulgado pelo MPSC

No dia a dia, a ausência de eletricidade obrigava a mulher a improvisar. A água do banho era aquecida no fogão e, nos períodos de calor intenso, a alternativa era suportar as altas temperaturas apenas com janelas abertas. Além disso, a sobrevivência doméstica dependia da solidariedade de vizinhos, que ajudavam a armazenar alimentos, carregar celular e viabilizar o uso de aparelhos básicos.

Segundo o MPSC, o caso passou a ser acompanhado pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), que ingressou com uma ação após tomar conhecimento da situação. Após a determinação da medida protetiva, o agressor solicitou o desligamento da energia elétrica, já que a conta estava registrada em seu nome.

Um ano depois, ele morreu, mas a situação não foi encerrada. A restrição ao fornecimento de energia continuou sendo mantida pelos ex-sogros da vítima, que impediram o religamento da rede elétrica. A motivação, conforme o órgão, era forçar a mulher a deixar o imóvel onde construiu sua vida familiar por mais de duas décadas.

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Nesse período, a mulher e o filho autista passaram a conviver com uma realidade de privações constantes e dificuldades diárias.

“Eu tinha pedido ajuda já lá atrás. Eu pedi uma medida contra o meu marido, que era um alcoólatra, e com essa protetiva ele foi lá e mandou desligar a energia para me ver saindo de casa. Mas eu não saí. Vivi esse tempo todo com o meu filho autista sem energia. Às vezes o meu filho se desesperava sem energia, ia para a casa da minha mãe, mas assim fomos vivendo”, contou ao MPSC.

Caminho judicial e desfecho do caso

A vítima chegou a acionar a Justiça para tentar o restabelecimento da energia elétrica, mas o pedido foi negado devido a entraves ligados à titularidade do imóvel e da unidade consumidora, que estava vinculada a familiares do ex-marido em um terreno com múltiplas residências.

A situação começou a mudar apenas no fim de maio deste ano, quando, durante uma audiência de uma ação penal movida pelo Ministério Público contra os ex-sogros por violência psicológica, a mulher voltou a relatar com detalhes o que havia enfrentado ao longo dos anos.

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Tags

abuso psicológico assistência social Autismo direitos humanos violência doméstica

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