LUTO
Força Invicta lamenta morte de PM: "Perda irreparável de um herói"
Oficial foi enterrado no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador

Por Leilane Teixeira

A morte do capitão da Polícia Militar da Bahia, Osniésio Salomão, gerou comoção dentro e fora da corporação. O oficial foi sepultado na tarde desta quinta-feira, no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador, em meio a homenagens de colegas, familiares e representantes de entidades ligadas à PM.
Durante o enterro, o presidente da Associação dos Oficiais Militares Estaduais da Bahia – Força Invicta, major Igor Rocha, destacou que a perda vai além da corporação. “Não perdemos apenas um policial militar. Perdemos um cidadão, um trabalhador, um pai de família. Perdemos um herói”, afirmou.
Segundo o major, todos os policiais que escolhem a carreira militar assumem conscientemente o risco da própria vida para defender a sociedade e, por isso, deveriam ser tratados como heróis, como ocorre em países considerados civilizados.
“São pessoas que optam por uma atividade profissional de alto risco e esperam que essa sociedade os abrace, os proteja e garanta condições dignas para que criem suas famílias. Nesse caso, duas crianças perderam o pai, perderam o seu herói. Mesmo vivendo esse luto, precisam ter condições de continuar vivendo com dignidade”.
Indignação e cobrança por melhoria
A Força Invicta declarou luto oficial, mas também indignação. Para Igor Rocha, o sentimento deveria ser compartilhado por toda a sociedade baiana. “Essa indignação precisa ser de cada cidadã e cidadão que deseja uma sociedade mais segura. É preciso cobrar dos governantes que os homens e mulheres que defendem a sociedade sejam valorizados e bem tratados”, disse.
Entre as críticas, o major destacou a necessidade de policiais recorrerem a horas extras ou a cargos comissionados, muitas vezes dependentes de indicações políticas, para complementar renda.
“Infelizmente, no caso do capitão Salomão, ele não poderá mais fazer hora extra nem ocupar cargos. A família vai sofrer com um salário baixo e com a ausência de uma assistência que deveria ser garantida pelo contrato social”, afirmou.
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Combate à criminalidade
O representante da associação também defendeu que o combate à criminalidade precisa ser acompanhado de políticas estruturais. “Prender ou até eliminar um criminoso não devolve a vida de um policial nem de qualquer cidadão vítima da violência. É preciso pensar em soluções mais amplas”, avaliou.
Ainda assim, Igor Rocha ressaltou que é fundamental que o crime seja desestimulado. “Quem opta pela criminalidade precisa ter certeza de que será punido dentro dos rigores da lei. E, ao mesmo tempo, precisamos valorizar aqueles que continuam convictos de que devem defender a sociedade, atuando em áreas vulneráveis e enfrentando facções criminosas”, completou.
Para o major, o Estado precisa cumprir o que chamou de contrato social com os policiais.“O cidadão entra na polícia dizendo: ‘vou defender a sociedade com a própria vida’. Em troca, o Estado precisa garantir salário digno e cuidar da família em caso de morte. Infelizmente, isso ainda não acontece na Bahia”, concluiu.
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