Busca interna do iBahia
HOME > POLÍCIA

POLÍCIA

Homem é condenado a quase 60 anos por morte de líder quilombola na Bahia

Tainara dos Santos foi morta em outubro de 2024

Victoria Isabel
Por
Condenação ocorreu por maioria dos votos dos jurados
Condenação ocorreu por maioria dos votos dos jurados - Foto: Reprodução

O homem acusado pelo assassinato da líder quilombola Tainara dos Santos foi condenado a 59 anos, 11 meses e 24 dias de prisão pelo Tribunal do Júri de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. O julgamento de George Anderson Santos da Silva, conhecido como “Dandan”, começou na quarta-feira, 19, e terminou na madrugada desta quinta-feira, 20.

De acordo com o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), a condenação ocorreu por maioria dos votos dos jurados, que consideraram o réu culpado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e porte ilegal de arma e munição. A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Audo Rodrigues e Luciano Assis.

Tudo sobre Polícia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Além da pena de prisão, a Justiça estabeleceu o valor mínimo de R$ 300 mil para reparação dos danos sofridos pelas vítimas e seus sucessores.

“Foi um alívio. Claro, não vai trazer nossa irmã de volta, porém a Justiça foi feita e bem feita. Esses anos todos (de pena) que ele vai pagar é um alívio para gente”, afirmou Denivaldo dos Santos, familiar de Tainara.

Segundo o MPBA, os jurados reconheceram que o feminicídio foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi considerado que a ameaça contra Tainara foi motivada por ciúme e pelo sentimento de posse do acusado em relação a ela.

“O resultado é fruto da demonstração de todas as provas e do que foi proposto pelo Ministério Público. Não é um dia de comemoração, mas de mostrar à sociedade, mais uma vez, a necessidade de que temos de trazer a julgamento fatos tão insanos e tão covardes como esse, com reflexos que perduram no tempo. A resposta da sociedade de Cachoeira foi dada e que isso sirva de exemplo a todos aqueles que a violência doméstica e familiar pode fazer parte do cotidiano”, afirmou o promotor Audo Rodrigues.

Para o promotor Luciano Assis, a decisão tem caráter pedagógico e reforça a necessidade de responsabilização em casos de violência contra a mulher.

“Resultado do Júri atendeu ao interesse coletivo, com caráter pedagógico para projeção de comportamento, que revela cada vez mais a necessidade do MP e a sociedade continuarem a luta na busca pela responsabilização penal e a punição para este tipo de crime”, afirmou.

Leia Também:

VÉU DE AREIA

Operação bloqueia R$ 49,6 milhões de organização criminosa na Bahia
Operação bloqueia R$ 49,6 milhões de organização criminosa na Bahia imagem

NEGLIGÊNCIA

Médica é acusada de matar seis bebês por falta de condutas de higiene
Médica é acusada de matar seis bebês por falta de condutas de higiene imagem

CRIME PASSIONAL?

Empresário é executado a tiros em condomínio em construção na Bahia
Empresário é executado a tiros em condomínio em construção na Bahia imagem

Relação era marcada por agressões físicas e psicológicas

Tainara dos Santos era líder quilombola e mãe de duas crianças. Ela desapareceu em 9 de outubro de 2024. De acordo com a denúncia apresentada pelo MPBA, Tainara e George Anderson mantiveram um relacionamento por cerca de cinco anos e tiveram uma filha, que tinha dois anos na época do crime.

Segundo as investigações, a relação era marcada por episódios de agressões físicas e psicológicas. Tainara teria relatado as violências sofridas e manifestado o desejo de terminar o relacionamento.

Após a separação, conforme a acusação, George Anderson não teria aceitado o fim da relação e passou a perseguir a vítima. A filha do casal teria sido utilizada como pretexto para manter contato com Tainara.

Diante do histórico de violência e das ameaças, Tainara solicitou uma medida protetiva de urgência. A Justiça determinou o afastamento do acusado para garantir a proteção da vítima e de seus familiares. Conforme o MPBA, a ordem judicial foi descumprida diversas vezes.

No dia 9 de outubro de 2024, quando foi vista pela última vez, Tainara teria sido coagida pelo acusado, mediante grave ameaça, a assinar um contrato relacionado à divisão de um imóvel.

Em seguida, ainda segundo a denúncia, ela foi levada pelo acusado em um veículo. Desde então, a líder quilombola não foi mais vista e seu corpo nunca foi encontrado.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Bahia cachoeira líder quilombola

Relacionadas

Mais lidas