POLÍCIA
Investigado por ligação com PCC, Beto Louco fecha acordo e delata esquema fiscal na Bahia
Acordo firmado com o MP da Bahia abriu nova frente de investigação sobre corrupção e fraudes tributárias


A delação premiada firmada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, abriu uma nova frente de investigação sobre fraudes milionárias no mercado de combustíveis da Bahia.
Apontado pelas autoridades como operador de um esquema ligado ao PCC, o empresário passou a colaborar com o Ministério Público da Bahia após ter tentativas de acordo rejeitadas em outros estados. A colaboração dele serviu de base para a Operação Khalas, deflagrada na quinta-feira (21), que investiga um esquema de corrupção, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.
Delação abriu nova frente de investigação
Segundo a apuração do UOL, Beto Louco detalhou aos investigadores como funcionava a estrutura responsável por fraudes tributárias e pelo pagamento de propina a integrantes do setor de combustíveis da Secretaria da Fazenda da Bahia.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas do ramo para importar produtos pagando menos impostos. A suspeita é que combustíveis e insumos químicos eram desviados para unidades clandestinas de mistura, conhecidas como “batedeiras”, onde acontecia a adulteração antes da distribuição aos postos.
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De acordo com o Ministério Público baiano, o esquema teria causado um prejuízo estimado em R$ 400 milhões em ICMS aos cofres públicos. Ainda conforme a apuração, mais de 111 milhões de litros de combustíveis teriam sido adulterados desde 2023.
Auditor fiscal e empresários são citados
Entre os nomes mencionados nas investigações está o auditor fiscal Olavo Oliva, integrante da Coordenação de Petróleo e Combustíveis da Secretaria da Fazenda da Bahia.
Outro nome citado é o empresário Cyro Valentini, dono da refinaria Dax Oil, em Camaçari. A refinaria já havia aparecido nas apurações da Operação Carbono Oculto, realizada pelo Ministério Público de São Paulo, que identificou a empresa como fornecedora da Copape, controlada por Beto Louco.
As investigações apontam que o grupo importava gasolina como se fosse nafta, produto que possui tributação menor e depois desviava o material para adulteração clandestina.
Operação Khalas
A Operação Khalas foi deflagrada pela força-tarefa de combate à sonegação fiscal na Bahia e terminou com a prisão preventiva de um servidor estadual e outras duas pessoas em Feira de Santana.
Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias. Dois servidores municipais também foram afastados das funções.
Durante a ação, investigadores apreenderam cerca de R$ 263 mil em espécie, entre reais e moedas estrangeiras, além do bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.
Acordo na Bahia após negativas em outros estados
Antes de fechar acordo com o Ministério Público baiano, a defesa de Beto Louco tentou negociar delações com o Ministério Público de São Paulo e com a Procuradoria-Geral da República, mas as propostas não avançaram.
Investigadores buscavam informações mais amplas sobre possíveis ligações do esquema com integrantes do crime organizado e agentes públicos de diferentes estados.
Foragido desde o ano passado, Beto Louco é apontado pelas autoridades como peça-chave em um ecossistema de fraudes fiscais bilionárias envolvendo o setor de combustíveis no país.


