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Júri de acusada por envenenar mãe e duas filhas é adiado pela 8ª vez

A sessão aconteceria nesta quarta-feira, 7, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador

Alice Paulilo e Luiza Nascimento
Por Alice Paulilo e Luiza Nascimento
| Atualizada em
Mãe e duas filhas mortas por envenenamento
Mãe e duas filhas mortas por envenenamento - Foto: Reprodução

O julgamento de Elisângela Almeida Oliveira, acusada de envenenar e matar Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, e duas crianças, em Maragogipe, na região do Recôncavo Baiano, em 2018, foi adiado pela oitava vez. A sessão aconteceria nesta quarta-feira, 7, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador e foi remarcada para 2 de dezembro.

De acordo com informações obtidas pela portal A TARDE, a justificativa é de que a acusada realizou uma cirurgia na última segunda-feira, 5, e segue internada, portanto, não poderá comparecer à audiência.

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A reportagem conversou com o advogado Bruno Torres, que falou sobre os adiamentos anteriores, que também ocorreram devido ao quadro de saúde da acusada.

"Toda vez que chega próximo da sessão plenária, ela entra com pedido de adiamento, igual aconteceu nessa madrugada. Então ela já veio de vários pedidos por uma questão de saúde. Ela tá inclusive em prisão domiciliar. Inclusive na própria investigação, lá em 2018, ela tentou atrapalhar as investigações da Polícia Civil, colocando atestados, não comparecendo nas audiências quando ela foi intimada a prestar seus primeiros esclarecimentos em sede policial...", citou Bruno.

Segundo o advogado, a própria assistência de acusação, juntamente com a promotoria, impugnou o pedido de adiamento da sessão plenária da Defensoria Pública do Estado da Bahia, e deu a possibilidade de participação por videoconferência ou até de que a sessão plenária acontecesse sem ela, conforme prevê o artigo 457 do Código de Processo Penal, o que não foi acatado.

Advogado Bruno Torres e o pai das crianças Jeferson Brandão
Advogado Bruno Torres e o pai das crianças Jeferson Brandão - Foto: Alice Paulilo | Ag. A TARDE

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Entenda o adiamento

Juíza do projeto Mais Jus, Monique Ribeiro de Carvalho Gomes explicou que, embora o processo já esteja com a Defensoria Pública, foi juntado aos autos um relatório médico sobre a cirurgia, que comprovam que Elisângela está internada.

"A fim de possibilitar a plenitude de defesa por parte da ré, para evitar nulidades posteriores, optou-se por remarcar o júri porque a ré tem o direito de comparecer à sessão do julgamento. A gente vai tá oficiando o hospital hoje para ele nos informar acerca da real situação de saúde da ré", disse Monique.

Promotor do caso, Luis Eduardo Souza disse que Elisângela ficou presa durante 6 anos e foi colocada em prisão domiciliar justamente por alegar doença.

"Todo o adiamento de júri beneficia ela. Ela não veio aqui hoje e vai alegar isso várias vezes como estratégia de adiamento para que ela não volte ao cárcere, que era onde ela deveria estar e nunca ter saído [...] para ela é excelente o adiamento".

O promotor não descarta a possibilidade de haver uma nova alegação na próxima data estabelecida para o julgamento. "É muito bem provável que ela alegue novamente questão de saúde para que o júri seja adiado, mas aí quem quem vai decidir é o juiz presidente se a sessão ocorrer ou não.

Josué Souza, defensor público responsável por Elizângela, explicou que a cliente está internada, devido a uma cirurgia ocorrida no dia 5 de outubro. Segund ele, o direito brasileiro entende que em caso de doença e de internação, é necessário adiamento, visto que o o interrogatório, é um método de defesa.

"Então tinha a necessidade do comparecimento dela pessoal, caso ela queira, e ela quer estar presente para fazer a defesa dela. Então foi necessário adiamento, inclusive foi uma atitude acertada da magistrada, visto que o caso não fosse adiado, era uma possibilidade muito grande desse júri ser anulado", afirmou.

Segundo Josué, o adiamento não foi uma manobra articulada pela defesa. "Nada a ver com o processo. Acredito que não foi uma manobra dela de defesa, e sim que foi uma cirurgia que ela conseguiu programar para o dia 5 de outubro. Agora o processo está marcado para 2 de dezembro. Acredito que deve acontecer nesta data", opinou.

Relembre o Caso Maragogipe

Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, Greisse Santos da Conceição, de 5 anos e Rute Santos da Conceição, de 2 anos, morreram em um intervalo de aproximadamente 15 dias, entre julho e agosto de 2018, após serem envenenadas com um inseticida de uso agrícola.

Elisângela era amiga da família e frequentava a casa das vítimas. De acordo com a investigação da Polícia Civil, ela teria desenvolvido interesse por Jeferson Brandão, então companheiro de Adriane e pai das duas meninas.

Pai das crianças, Jeferson Brandão se mostrou indignado com o anúncio do oitavo adiamento e afirmou que não esperava a decisão.

"Tudo isso é gasto. Não só o gasto, mas dor. Dói muito na minha alma aqui, tô de coração aqui arrasado [...] Mas eu ainda creio em Deus, creio na justiça que eu vou ter a resposta, porque eu não tô aguentando mais", falou em entrevista ao portal A TARDE.

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Adriane Ribeiro Santos Elisângela Almeida Oliveira Maragogipe

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