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TRIBUNAL DO JÚRI

PMs vão a júri popular quatro anos após execução de jovem na Bahia

Mãe clama por justiça e celeridade enquanto aguarda julgamento dos acusados

Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

01/04/2026 - 16:25 h

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A morte de Marcelo completa 4 anos, nesta quarta-feira, 1º de abril
A morte de Marcelo completa 4 anos, nesta quarta-feira, 1º de abril -

O caso da morte de Marcelo Felipe Guerra dos Santos Rocha, de 18 anos, completa quatro anos nesta quarta-feira, 1º de abril, ainda sem data definida para julgamento. Apesar da demora, a Justiça baiana já determinou que os policiais militares acusados do crime sejam levados a júri popular.

A audiência de instrução e julgamento foi realizada no dia 14 de abril de 2025, quando foram ouvidas testemunhas do caso. Já a decisão de pronúncia, que encaminhou os réus ao Tribunal do Júri, foi proferida em janeiro de 2026, com base na existência de provas da materialidade e indícios suficientes de autoria.

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Com isso, caberá ao Tribunal do Júri decidir pela condenação ou absolvição dos acusados. No entanto, recursos apresentados pela defesa ainda impedem a definição de uma data para o julgamento.

Na decisão, a juíza de direito Márcia Simões Costa destacou que:

"Desta feita, nos termos do art. 413 do Código de Processo Penal, havendo prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, devem ser os réus submetidos a julgamento perante o Tribunal do Júri Popular".

Marcelo  foi jovem aprendiz no Banco do Brazil
Marcelo foi jovem aprendiz no Banco do Brazil | Foto: Arquivo pessoal

Em outro trecho, a magistrada reforça o envio do caso ao júri:

"Pelo exposto, acolho a pretensão acusatória extermada na denúncia e, com espeque no art. 413 do Código de Processo Penal, decido pela pronúncia de [nomes dos policiais] como incursos na norma incriminadora prevista nos art. 121, § 2°, inciso IV, do Código Penal, a fim de serem submetidos a julgamento pelo colegiado popular".

Daniela e o filho Marcelo
Daniela e o filho Marcelo | Foto: Arquivo pessoal

Em conversa exclusiva com o Portal A TARDE, a empresária Daniela Guerra, mãe de Marcelo, afirmou está confiante na condenação dos PMs. "Seguimos confiantes, acreditando em Deus, na força do seu poder, nas autoridades, que a justiça vai ser feita", declarou ela.

Jovem foi morto após perseguição

Marcelo foi morto, em 1º de abril de 2022, após tentar fugir de uma blitz na Avenida Maria Quitéria, em Feira de Santana, a cerca de 115 Km de Salvador. Segundo informações do Ministério Público, ele não possuía carteira de habilitação e, por isso, tentou evitar a abordagem policial.

As investigações apontam que o jovem não estava armado e não ofereceu resistência. Ainda assim, foi atingido por disparos enquanto dirigia. Laudos periciais indicam que ele foi baleado pelas costas, o que reforça a tese de execução.

A versão inicial da Polícia Militar, que alegava troca de tiros, foi posteriormente contestada pelas apurações e provas reunidas no processo.

Marcelinho na formatura com a mãe
Marcelinho na formatura com a mãe | Foto: Arquivo pessoal

"Lamentavelmente, meu filho foi executado com tiro pelas costas, o que já comprova aí uma execução, e não teve sequer a oportunidade de ser abordado. E depois, como se não bastasse a dolorosa execução, os dois policiais envolvidos inventaram uma mentira dizendo que foi a famosa troca de tiro", relembrou Daniela.

"Marcelinho, ele era um menino sonhador, era um menino guerreiro, trabalhador, honesto, um menino visionário. Um menino que inspirou muitos outros jovens na época, pela sua forma de empreender", completou ela.

Luta para preservar a memória

Ao lembrar os quatro anos da morte do filho, Daniela destacou o simbolismo da data e a luta para preservar a imagem de Marcelo.

"Na época, Marcelinho tinha apenas 18 anos. Coincidentemente, isso aconteceu no dia 1º de abril de 2022. O dia 1º de abril que é considerado um dia da mentira. Mas, eis que estou aqui em 1º de abril também, depois de 4 anos, com a voz da verdade".

Marcelo é o filho mais velho de Daniela
Marcelo é o filho mais velho de Daniela | Foto: Arquivo pessoal

"Eu sei que a vida dele eu não vou ter de volta. Mas, eu preciso honrar o nome que ele deixou limpo, não posso permitir que o nome de Marcelinho seja mais um nome", afirma a mãe.

“Vou lutar enquanto viver”, diz mãe

Ainda durante conversa com o Portal A TARDE, Daniela descreveu a dor da perda e a motivação para continuar cobrando justiça. "Enquanto mãe, essa é a minha missão, que eu tenho aqui na terra. Enquanto eu viver, vou lutar para honrar o nome limpo que meu filho deixou", declarou a empresária.

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Antes de finalizar, ela reforçou o pedido para que o caso seja julgado. "O que eu peço, o meu clamor é de justiça, peço celeridade na data, para que aconteça de fato o júri", suplica a mãe, em meio ao luto.

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Tags:

Júri popular justiça Polícia Militar Bahia TJBA

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