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Quem é o cabo do Exército apontado como fornecedor de armas para facções na Bahia

Militar é investigado após mensagens revelarem supostas negociações com integrante de facção

Luan Julião
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Cabo do Exército já estava preso quando operação contra organização criminosa foi deflagrada
Cabo do Exército já estava preso quando operação contra organização criminosa foi deflagrada - Foto: Denisse Salazar/Ag. ATARDE

Lotado no Sexto Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, o cabo Deivison dos Santos Ferreira passou a ser um dos principais personagens de uma investigação que apura um suposto esquema de fornecimento de armas e munições para facções criminosas na Bahia.

Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia (MP-BA), o militar teria negociado munições de fuzil, granadas, pistolas e fuzis com integrantes do tráfico de drogas. Para um dos grupos criminosos investigados, a suspeita é de que ele tenha vendido cerca de mil munições dos calibres 5.56 e 7.62.

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A ligação entre o cabo e os criminosos surgiu durante a análise de um celular apreendido em abril, em uma operação realizada em uma casa usada para armazenar e preparar drogas, no bairro de Itapuã, em Salvador.

O aparelho pertencia a Gabriel Reis Oliveira, apontado pela polícia como responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes facções. De acordo com a investigação, era ele quem mantinha contato direto com Deivison para negociar os materiais. As informações sobre o caso foram divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo, 13.

Cabo Deivison dos Santos Ferreira
Cabo Deivison dos Santos Ferreira

Identidade descoberta nas conversas

Nas primeiras conversas analisadas pelos investigadores, o militar não utilizava o próprio nome. Deivison teria usado apenas um emoji para se identificar.

A identificação teria sido confirmada posteriormente durante as próprias negociações. Em determinado momento, o interlocutor teria enviado informações pessoais, incluindo CPF e uma chave Pix. Os dados permitiram aos investigadores associar o contato ao cabo do Exército.

As mensagens também passaram a revelar a dimensão das negociações. Além das cerca de mil munições de fuzil que teriam sido vendidas a um dos grupos, apareceram conversas sobre granadas. A quantidade que teria sido desviada ainda não foi determinada.

O militar também teria oferecido pistolas e fuzis aos integrantes da organização. Nesse caso, contudo, os investigadores ainda não confirmaram se essas armas foram efetivamente desviadas do Exército.

Suspeita envolve treinamentos militares

Ainda conforme as apurações da telejornal, uma das linhas investigadas para explicar a origem das munições e granadas é o possível desvio de materiais utilizados em treinamentos do Exército.

A suspeita é de que equipamentos e munições empregados durante exercícios, que deveriam ser devolvidos posteriormente ao paiol da unidade, não teriam retornado ao estoque oficial.

Os investigadores também apuram se registros de controle foram alterados para esconder eventuais diferenças entre o material registrado oficialmente e o que de fato permanecia armazenado.

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As conversas analisadas também fazem referência a treinamentos realizados em Paulo Afonso, no norte da Bahia. Em uma delas, o cabo teria indicado que poderia conseguir mais material depois de uma dessas atividades.

Cabo já estava preso

Deivison apareceu entre os alvos da operação que prendeu 33 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa investigada. A ação contou com cerca de 250 agentes e teve prisões em Salvador e na região metropolitana, no interior da Bahia, em Sergipe e em São Paulo.

O cabo, porém, já estava preso antes da deflagração da operação.

A prisão havia sido determinada pela Justiça Militar no mês anterior, em uma investigação relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos.

O que ainda falta esclarecer

A investigação ainda tenta determinar a origem de todo o material que teria sido negociado pelo cabo e como armas e munições teriam deixado o controle oficial.

Os investigadores também encontraram, nas conversas, referências feitas por Deivison a outras pessoas que poderiam ter participação no fornecimento de granadas e munições.

A Polícia Civil, entretanto, afirma que ainda é cedo para afirmar que outros militares participavam do suposto esquema. A possibilidade continua sendo apurada.

Os advogados de Deivison afirmaram que ele nega todas as acusações. A defesa também informou que, no momento oportuno, todos os fatos serão esclarecidos e que trabalha para revogar as prisões.

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Tags

Facções criminosas investigação criminal Polícia do Exército Salvador Bahia Tráfico de armas

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