POLÍCIA
"Pedido de Deus": yalorixá denuncia pastor por racismo religioso na Bahia
Homem teria destruído, duas vezes, um assentamento de Exú

A yalorixá Vanderlinda da Silva Santos, conhecida como "Mãe Deca", foi vítima de racismo religioso, no município de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. O caso foi registrado em dois dias: 3 e 30 de agosto.
Na denúncia obtida pelo portal A TARDE, a líder religiosa afirma que um pastor da região, conhecido como Sandro, teria destruído duas vezes um assentamento do Orixá Exú, em frente ao terreiro Ilê Axé Tonan Onirê.

O A TARDE entrou em contato com a Polícia Civil para esclareer o caso, mas até a publicação desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Simbolismo cruel: racismo religioso escancara demonização de divindades
Após o caso, a yalorixá comunicou à Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), que, em seguida, acionou a ronda religiosa da Polícia Militar da Bahia.
O presidente da AFA, Leonel Monteiro, informou ao A TARDE, que, nas duas ocorrências, o “assentamento de Exú foi totalmente destruído e jogado ao chão".
Isto tem um simbolismo cruel, que é demonizar uma das divindades mais importantes e cultuadas do Candomblé

Ameaça de morte
Além de destruir o assentamento de Exú, o pastor Sandro também teria feito ameaças de morte a yalorixá, conforme descrito no boletim de ocorrência que A TARDE teve acesso nesta segunda-feira, 14.
"Essa é a segunda vez que 'PASTOR SANDRO', invade o seu Terreiro e danifica assentamentos de Orixás e outras peças de cunho da religião de matriz africana. Informa ainda que o autor lhe ameaçou de morte", descreve o boletim de ocorrência.
O portal A TARDE entrou em contato com a yalorixá, que informou que o pastor justificou o ato de vandalismo e a ameaça de morte como "pedidos de Deus".
Além disso, ela contou que fez uma denncia à polícia, mas "ele [o pastor] continua andando pra cima e para baixo, pregando no culto dele, e nada aconteceu."
Até o momento, de acordo com a AFA, o pastor não foi intimado para prestar esclarecimentos sobre o caso e continua atuando normalmente na igreja que frequenta. O local, inclusive, fica a aproximadamente 150 metros do terreiro.
A Polícia Militar informou, em nota, ao portal A TARDE, que "vem realizando diligências na área para garantir a segurança e tranquilidade das comunidades religiosas".

O que diz a Sepromi?
Procurada pelo portal, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) diz não ter sido acionada para tratar sobre o caso, mas deixou claro que entrará em contato com a yalorixá para prestar apoio.
"Até o momento, o CRNM (Centro de Referência de Combate ao Racismo e à intolerância Nelson Mandela) não recebeu essa demanda. A equipe do centro agora está fazendo uma busca com a liderança envolvida, pra se inteirar do caso, oferecer o suporte e acompanhar os desdobramentos", diz nota enviada.



