CASO SOLDADO DANTAS
Reviravolta: jovem apontado como suspeito de matar PM em Ilhéus é inocentado
Ministério Público e Polícia Civil apontam falta de provas para indiciar o rapaz


Três meses após a morte do policial militar Maurício Dantas dos Santos, de 36 anos, assassinado na noite do dia 26 de julho deste ano, em Ilhéus, no sul da Bahia, as investigações ganharam um novo rumo. O rapaz inicialmente apontado como sendo um dos envolvidos no crime foi inocentado por falta de provas.
No último dia 26 de outubro, o Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio da 10ª Promotoria de Justiça de Ilhéus, tomou ciência da decisão da Polícia Civil que afastou a suspeita contra Kauan de Jesus Ferreira, 21.
Na Notícia de Fato, a promotora de Justiça Giovana Souza Barbosa descreve que Kauan não foi indiciado porque os elementos reunidos nos autos do Inquérito Policial não comprovaram a participação dele no homicídio.
“Por ausência de elementos mínimos de autoria, já que nenhum policial presente o identificou no local e a geolocalização do rastreador de sua motocicleta, corroborada por imagens de câmeras de segurança, indica que o veículo permaneceu estacionado no bairro Nelson Costa durante todo o confronto”, diz um trecho do documento assinado eletronicamente pela promotora.
Ainda na nota, a representante do MP solicita que "diante dessas considerações, notifique-se o cidadão e o seu advogado para que tomem conhecimento da situação acima especificada e se há alguma providência pendente, nos estritos termos da petição".
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Defesa em vídeo
Em agosto, após ser acusado de participar do confronto que resultou na morte do soldado Dantas, lotado na Rondesp Sul, Kauan gravou um vídeo negando o crime.
Na ocasião, ele disse que passou o dia na companhia de um amigo adolescente em uma festa no Rio do Engenho. O rapaz diz ter chegado ao local às 10h e saído às 18h, pilotando uma motocicleta com destino ao bairro Nelson Costa, onde mora com a família.
Ainda na declaração de inocência, Kauan contou que, na hora do confronto que resultou na morte do PM, já estava em casa com um irmão pequeno. Na mesma noite, policiais militares estiveram na residência a sua procura e o acusaram. Maurício foi morto com um único tiro.
Outro suspeito
Na madrugada do dia 27 de outubro, um homem identificado como Kauan dos Santos França, de 19 anos, mais conhecido como Caos, teria morrido em confronto com policiais militares da Rondesp Sul e do Comando de Policiamento da Região Sul (CPR-Sul). Ele ainda foi levado ao Hospital Regional Costa do Cacau, mas não resistiu.
Segundo a versão oficial, Caos tinha envolvimento com o tráfico de drogas e já havia sido alvo de uma tentativa de homicídio. O crime foi atribuído a traficantes de um grupo rival, motivado por rixa.
Ainda de acordo com a PM, após o confronto, foram encontrados com Caos porções de maconha e uma quantia de dinheiro em espécie.
O que diz a Polícia Civil e as defesas dos envolvidos
O A TARDE entrou em contato com o delegado Helder Carvalhal, responsável pelas investigações, para obter mais informações sobre o encaminhamento de possíveis inquéritos. Em resposta, ele disse: “esse caso já foi relatado e remetido à Justiça. Quanto a outras informações, é necessário procurar a ASCOM PCBA”.
A advogada Jaqueline Sales Souza, que acompanha a esposa de Maurício Dantas, a professora Geysla Nascimento Moura, também foi contatada pela reportagem e respondeu por meio de sua assessoria. Geysla também foi procurada, mas não deu retorno.
"A Dra Jaqueline informou que não possui autorização para prestar esclarecimentos ou conversar com jornalistas a respeito do caso. Agradecemos pela compreensão e pela atenção".
A reportagem não conseguiu identificar qual profissional defende Kauan para solicitar posicionamento sobre o caso, nem localizar um contato direto com o rapaz. O A TARDE reforça que os canais seguem abertos para possíveis manifestações.


