POLÍCIA
Técnicos de enfermagem se passam por médicos para matar pacientes
Um dos técnicos de enfermagem utilizou de forma indevida o sistema eletrônico do hospital que estava aberto no nome de um médico

A Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF) investiga um caso digno de filme, onde técnicos de enfermagem se aproveitam de falhas internas e dos acessos aos sistemas hospitalares para manterem pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O hospital em que esse caso aconteceu fica em Taguatinga, no Distrito Federal. A motivação para tais atos ainda não foi esclarecida.
Ao menos três pessoas morreram por conta de procedimentos irregulares, três ex-técnicos foram presos, entre eles, duas mulheres e um homem. Os casos aconteceram no Hospital Anchieta, em Taguatinga.
Vale ressaltar que os crimes foram denunciados pelo próprio hospital.
Investigações
De acordo com as investigações, um dos técnicos, de 24 anos, utilizou indevidamente o sistema eletrônico do hospital que estava aberto no nome de um médico para prescrever um medicamento incompatível com o quadro clínico das vítimas.
Após isso, ele retirava o remédio na farmácia da unidade e aplicava-o diretamente nos pacientes, sem qualquer autorização ou ciência do responsável da equipe médica.
Duas dessas aplicações aconteceram no dia 17 de novembro de 2025, já a terceira teria acontecido no primeiro dia de dezembro, também de 2025.
As vítimas, que estavam todas em internadas na UTI, eram:
- uma professora aposentada de 67 anos.
- um servidor público de 63 anos;
- um homem de 33 anos.
Somado ao medicamento prescrito de forma irregular, a PC apurou ainda que, em um dos casos, o técnico teria aplicado desinfetante por meio de uma seringa, em ao menos dez ocasiões, diretamente em um dos pacientes.
Vale ressaltar que a substância não possui nenhuma indicação para uso intravenoso, além de poder causar danos graves e imediatos.
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Ação registrada por câmeras
Os investigadores conseguiram acessar as câmeras de segurança instaladas no local, que registraram a movimentação dos suspeitos no interior da unidade.
As gravações revelaram a presença dos técnicos junto aos leitos das vítimas nos horários compatíveis com os procedimentos irregulares.
Inicialmente, os três ex-técnicos negaram qualquer envolvimento. Porém, depois de serem confrontados com as imagens e outros elementos da investigação, acabaram confessando os atos.
De acordo com a PC, o homem de 24 anos teria sido o responsável direto pela aplicação do medicamento, enquanto as duas mulheres, de 22 e 28 anos, teriam ajudado em, ao menos, dois dos episódios, seja dando suporte logístico ou facilitando o acesso aos pacientes.
Prisões e avanço das investigações
As prisões aconteceram no dia 11, durante a primeira fase da operação conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP).
Nesta mesma ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços localizados em em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
Já na segunda fase da operação, deflagrada na quinta-feira, 15, a PC apreendeu novos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
O material vai ser analisado para:
- aprofundar a investigação;
- identificar a dinâmica completa dos crimes;
- verificar se houve outros episódios semelhantes.
Atos isolados ou crimes premeditados?
A PCDF apura ainda se os homicídios foram atos isolados ou se existia um padrão de conduta dentro da unidade hospitalar.
O que diz o hospital
Confira a nota enviada pelo Hospital Anchieta:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”
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