CASO MARAGOGIPE
Tia de crianças mortas acusa pastora de tentar envenenar outra família
Caso ocorreu em 2018 e julgamento, que ocorreria nesta terça-feira, foi adiado pela oitava vez


Ana Paula Brandão, tia de Greisse Santos da Conceição, de 5 anos, e Rute Santos da Conceição, de 2 anos, mortas por envenenamento em 2018 ao lado da mãe Adriane Ribeiro Santos, acusa a suspeita, a pastora Elisângela Almeida Oliveira, de tentar cometer o mesmo crime com uma outra família.
A declaração aconteceu em entrevista ao portal A TARDE, na manhã desta quarta-feira, 7, quando ocorreria o julgamento do caso, que foi adiado pela oitava vez.
Ela afirma que, em 2025, recebeu uma ligação de uma mulher relatando a situação. O suposto caso teria ocorrido quando a acusada começou a frequentar uma igreja na capital baiana e se aproximar das possíveis novas vítimas.
"Ela já tentou envenenar uma mãe e duas crianças aqui em Salvador. Ela tá morando aqui. Ligaram para a gente, disseram que ela tinha tentado envenenar, só que a pessoa reconheceu o rosto dela e não comeu o bolo que ela fez", afirmou.
Segundo o advogado de acusação, Bruno Torres, a situação chegou a ser denunciada e investigada, mas a polícia não deu continuidade por falta de provas. No entanto, a denúncia está anexada ao processo e será embasada pela acusação.
Suposto caso tem mesmo modus operandi do anterior
O relato exposto por Ana Paula se assemelha à forma como Elisângela agiu com Adriane Ribeiro e as crianças. Também em entrevista à reportagem, Jeferson Brandão, viúvo e pai das meninas, se emocionou ao relembrar a história e ao contar como a relação com a acusada foi iniciada.
"Disse que Deus tinha enviado ela para nos abençoar na nossa festa de casamento. Aí ela deu salgado, ajudou a gente. Ela também queria ajudar na vida espiritual [...] Depois do casamento, ela pediu para passar um final de semana lá [em casa]. Cedemos através do casal de pastores que já conhecia eles há muito tempo, e aí ela e o marido dormiam na nossa casa e a gente dormia na casa dela", contou Brandão.
Em seguida, Elisângela chegou a passar um tempo na casa dos pais de Jefferson, que também gostavam dela. "Ela ganhou todo mundo, a comunidade lá. Todo mundo gostava dela, mas a gente não imaginava que a gente botou um bicho dentro de uma casa", relembrou.
Ele chegou a ser acusado pela pastora de ter compactuado com o crime, no entanto, conseguiu provar incocência. Jeferson acredita que o marido de Elisângela, Valci Boaventura Soares, tem ligação com o caso.
"O que muitos falam é que ela se interessou em mim, mas não tinha isso, eu não vi. E eu também hoje quero saber o porquê. Por que, ELisângela, você fez isso com minha família? Eu quero saber o porquê você e seu marido destruíram minha família, porque a gente sofreu para te acolher", lamentou Jeferson.
Valci também chegou a responder pelo processo, foi preso sob suspeita de coagir testemunhas e destruir provas, mas posteriormente foi colocado em liberdade por falta de elementos suficientes para mantê-lo preso. Agora, ele só pode ser indiciado depois da possível condenação de Elisângela.
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Relembre o Caso Maragogipe
Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, Greisse Santos da Conceição, de 5 anos e Rute Santos da Conceição, de 2 anos, morreram em um intervalo de aproximadamente 15 dias, entre julho e agosto de 2018, após serem envenenadas com um inseticida de uso agrícola.
Elisângela era amiga da família e frequentava a casa das vítimas. De acordo com a investigação da Polícia Civil, ela teria desenvolvido interesse por Jeferson Brandão, então companheiro de Adriane e pai das duas meninas.



