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BASTIDORES

Atrito entre vereadores pode mudar eleição de novo presidente da Câmara de Salvador

Pelo regimento, eleição para novo biênio deve ser feita na última sessão legislativa, em dezembro

Gabriela Araújo
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| Atualizada em
Presidente da Câmara entrou em rota de colisão com vereador Alexandre Aleluia (Novo)
Presidente da Câmara entrou em rota de colisão com vereador Alexandre Aleluia (Novo) - Foto: Antonio Queirós | CMS
Eleições 2026

A Câmara Municipal de Salvador (CMS) vive seus dias nebulosos. Um atrito entre o presidente Carlos Muniz (PSDB) e o vereador Alexandre Aleluia (Novo) foi o estopim para escancarar uma disputa maior: a presidência da casa.

A discordância entre os edis foi registrada durante reunião de líderes na manhã da última quarta-feira, 23, com direito a gritos como "Me respeite", segundo apuração do portal A TARDE.

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Os legisladores citados exaltaram os ânimos após entrarem em rota de colisão sobre a data de votação dos projetos de vereadores, marcada para a próxima segunda-feira, 28, pelo presidente.

Reunião do colégio de líderes na CMS
Reunião do colégio de líderes na CMS - Foto: Reginaldo Ipê | CMS

Fontes ouvidas pelo portal A TARDE, contudo, revelaram um temor maior em relação à apreciação das propostas parlamentares na semana que vem: a possível votação de um requerimento que pode antecipar a escolha do próximo presidente da CMS.

Caso o documento seja aprovado, a votação poderia ser marcada para o dia 1º de outubro, antes da eleição geral.

A eleição para a renovação da Mesa Executiva, observado procedimento eleitoral disposto neste artigo e nos artigos 7º e 8º deste Regimento Interno, realizar-se-á na última Reunião Ordinária de dezembro, no segundo ano da Legislatura da 2ª Sessão Legislativa, sob a presidência do Vereador mais idoso, dentre os presentes, considerando-se automaticamente empossados os eleitos, para terem exercício na Mesa, por um biênio, a partir de 2 de janeiro do terceiro ano da Legislatura Regimento Interno da Câmara de Salvador

Esse entendimento, no entanto, foi alterado em março de 2022, pelo então presidente Geraldo Júnior (MDB) para permitir a própria recondução à presidência da Casa. À época, ele foi eleito por 35 votos em chapa única, causando questionamento da ala de oposição da casa.

Geraldo Jr. (MDB) durante recondução ao cargo de presidente da CMS
Geraldo Jr. (MDB) durante recondução ao cargo de presidente da CMS - Foto: Divulgação | CMS

Com isso, o novo parágrafo do artigo 2º, acrescentado pelo emedebista, diz o seguinte e permanece valendo para as eleições seguintes:

“A Câmara elegerá, a 02 de janeiro do primeiro ano da Legislatura, a Mesa Executiva, constituída de 01 (um) Presidente, 03 (três) Vice-Presidentes, 04 (quatro) Secretários, 01 (um) Corregedor, 01 (um) Ouvidor, 01 (um) Ouvidor Substituto e 04 (quatro) Suplentes da Mesa, para um mandato de 02 (dois) anos, permitida a recondução, na mesma ou em diferentes legislaturas.”

Nesse sentido, o requerimento para antecipar a escolha do novo presidente precisa do aval de 22 dos 43 vereadores de Salvador.

Muniz relembra manobra de Geraldo Jr. e nega antecipação das eleições da Câmara

O A TARDE entrou em contato com o presidente Carlos Muniz (PSDB) na manhã desta quinta-feira, 24, que negou qualquer tipo de brecha para antecipação do pleito e esclareceu:

Não existe pauta em relação à antecipação da [votação] da Câmara na segunda-feira. Eu não vou fazer o que Geraldo [Júnior] fez, e nem o que [Alexandre] Aleluia fez, enquanto era presidente da CCJ, que aprovou um relatório sem o conhecimento de todos os vereadores”, afirmou o tucano.

Presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB)
Presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB) - Foto: Antonio Queirós | CMS

Em um tom mais firme, o chefe do Legislativo soteropolitano ainda complementou: “Eu não seria moleque de fazer isso. Isso é loucura ou despreparo de quem não conhece os vereadores”.

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Rota de colisão: presidente da CCJ se diz contrário à votação de projetos

Em contrapartida, o vereador Alexandre Aleluia (Novo), atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), diz não ser o melhor momento para votação de projetos de vereadores em plenário.

“Não é o momento dessa discussão. É o momento de eleição. Os líderes [partidários] foram contra para votar os projetos de vereadores”, declarou ele, emendando: “Existe uma desconfiança que eles possam colocar para votar a antecipação das eleições”.

Vereador Alexandre Aleluia (Novo)
Vereador Alexandre Aleluia (Novo) - Foto: Divulgação | CMS

Muniz, no entanto, diz que as atividades da Câmara “não podem parar devido a uma eleição”, e por essa razão, manterá a votação de projetos de vereadores para a semana que vem.

Outra fonte ouvida por A TARDE concordou com Aleluia e pontuou que existe, de fato, uma dificuldade para manter o quórum para votação dos projetos devido ao período eleitoral. Ele ainda foi além e disse que a data foi convocada pelo presidente e questionou o motivo da reunião.

"O presidente usou a prerrogativa da presidência para impor uma data. Ainda houve comentários: 'ora, se usou essa prerrogativa, porque convocou uma reunião de líderes?'", indagou ele.

Presidência da Câmara: nomes que podem disputar o espaço

O mandato do presidente Carlos Muniz (PSDB) à frente da presidência encerra-se no dia 31 de dezembro deste ano, conforme determina o regimento interno. Alguns nomes, contudo, já se movimentam para ocupar o espaço.

  • Alexandre Aleluia (Novo): um dos vereadores que já demonstrou o desejo de concorrer ao cargo;
  • Kiki Bispo (União Brasil): apesar de estar focado na disputa estadual, na tentativa de eleger o candidato ACM Neto (União), ao governo da Bahia, o edil se colocou à disposição para disputar o espaço.
  • Carlos Muniz (PSDB): questionado sobre o assunto, o tucano diz que, na sua visão, pode concorrer a um novo mandato. Caso não consiga, ele deve adotar a seguinte tática: "Reunir todos os 39 vereadores que votaram em mim e têm a minha confiança", a fim de apadrinhar um nome, como contou ao A TARDE.
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