CLIMA RUIM
Banco Master: Lula se irrita com Toffoli e defende saída de ministro
Presidente demonstrou irritação com conduta de ministro em caso envolvendo banco

Por Yuri Abreu

O presidente Lula (PT) defendeu que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, renuncie seu mandato ou se aposente, diante da conduta adotada até agora por ele na relatoria do inquérito do Banco Master, na Corte.
A irritação do petista, segundo a Folha de S.Paulo, foi manifestada em conversas reservadas com pelo menos três auxiliares. Diante do andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado, o presidente tem dado sinais de que não pretende sair em defesa do Toffoli, nomeado pelo chefe do Executivo ao Supremo em 2009.
Lula estaria, ainda conforme a publicação, incomodado com o desgaste institucional do STF causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com fundos ligados à cúpula do banco. Há ainda o receio de que a investigação seja abafada.
Conversa com Toffoli
A expectativa, agora, é a de que o presidente chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito — eles já discutiram o assunto no fim do ano passado. No entanto, apesar da tensão, há dúvidas de que ele vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.
Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências.
"Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", afirmou Lula na última sexta-feira, 23, em Maceió.
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"Grande pizza"
Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF.
Nas palavras de um aliado, o presidente passou a desconfiar que o caso terminaria em uma "grande pizza". Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na conversa, o presidente teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às últimas consequências. Ainda segundo relatos, ele queria entender se essa era a disposição no tribunal, mesmo após a decretação do sigilo.
Em resposta, o ministro disse que nada seria abafado e que o sigilo era uma medida justificável.
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