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REJEIÇÃO

Bispo de Flávio Bolsonaro condena culto à 'Rainha dos Céus

Reafirmação de posicionamento teológico ganha forte apelo político no cenário eleitoral

Rodrigo Tardio
Por
Presença de JB Carvalho junto ao círculo familiar do pré-candidato manifesta-se também na literatura consumida pela família
Presença de JB Carvalho junto ao círculo familiar do pré-candidato manifesta-se também na literatura consumida pela família - Foto: Reprodução
Eleições 2026

O bispo JB Carvalho, criador da Comunidade das Nações e líder espiritual frequentado pelo pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), combate abertamente a veneração à figura da "Rainha dos Céus".

A condenação consta no livro A Bomba: A verdade pode ser explosiva, publicado em 2001 pela editora Doxxa, cujos trechos foram reproduzidos recentemente pelo blog do pastor Sérgio Lourenço. Em uma das passagens mais contundentes da obra, o líder evangélico assinala: “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”.

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​A reafirmação desse posicionamento teológico ganha forte apelo político no cenário eleitoral. Em 24 de agosto deste ano, Flávio Bolsonaro declarou em transmissão nas redes sociais que, caso seja eleito chefe do Executivo, seu primeiro ato será "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

Rejeição

A fala foi interpretada por setores do catolicismo como uma rejeição implícita à figura de Maria como intercessora da nação, desencadeando reações de fiéis e sermões críticos proferidos por bispos durante homilias na Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

A conexão de Flávio com a denominação evangélica é profunda. Em 2024, o parlamentar e a esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília.

O senador tornou-se frequentador assíduo do templo e o escolheu para sua primeira aparição pública em 7 de dezembro de 2025, dois dias após anunciar sua pré-candidatura ao Planalto.

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Ataque ao dogma

​Para fundamentar a rejeição ao culto, JB Carvalho apoia-se em leituras dos capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias.

De acordo com a interpretação, a ruína do reino de Judá e o subsequente cativeiro na Babilônia foram punições diretas da ira divina provocada pelos habitantes que ofereciam incenso, alimentos e libações a uma divindade feminina.

O autor sustenta que o povo cometeu o erro fatal de atribuir a prosperidade a essa entidade em vez de ao Deus de Israel, gerando uma disputa pela glória que pertenceria exclusivamente ao Criador.

Em outros trechos atribuídos ao livro, Carvalho estabelece paralelos entre a devoção mariana e rituais do paganismo antigo:

​Mito de Semíramis: na passagem intitulada A Lenda, o bispo narra que Semíramis teria promovido a adoração ao falecido marido, Ninrode, e apresentado o filho Tamuz como sua reencarnação, recebendo o título de "Rainha dos Céus". Carvalho associa essa representação de mãe e filho à iconografia católica de Maria com o menino Jesus.

​Sincretismo e Festas: sob o título Voltemos à História, o autor defende que celebrações dedicadas a deusas da Antiguidade foram absorvidas pelo calendário de festas marianas, influenciando o surgimento de orações e liturgias católicas.

​"Deus odeia o culto a Rainha dos Céus.

A adoração a essa entidade representa uma disputa pela glória reservada exclusivamente a Ele."

— JB CARVALHO, em trecho da obra A Bomba (2001)

​Doutrina católica refuta tese

​As declarações do bispo constituem a visão teológica individual. Do ponto de vista histórico e acadêmico, a tese de que a veneração a Maria derivaria do culto babilônico a Semíramis não possui respaldo documental estabelecido.

Ademais, as transcrições divulgadas pela imprensa confirmam o repúdio à "Rainha dos Céus", mas não contêm elementos suficientes para ratificar a afirmação literal de que preces católicas seriam direcionadas a entidades demoníacas.

​Livros na cela de ex-presidente

​A presença de JB Carvalho junto ao círculo familiar do pré-candidato manifesta-se também na literatura consumida pela família.

Registros da imprensa documentam que obras do bispo foram levadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em momentos de visitação na prisão.

​Em 25 de novembro de 2025, Flávio esteve na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, portando um exemplar de Metanoia: A chave está em sua mente, episódio noticiado pela Folha de S.Paulo.

Pouco tempo depois, em 6 de janeiro de 2026, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro levou ao marido o título A jornada de meninos a homens (2019), obra voltada à formação masculina sob a ótica cristã.

​A circulação desses textos, aliada ao batismo de Flávio e à sua participação em cultos na Comunidade das Nações, evidencia que a liderança de JB Carvalho exerce papel central na formação espiritual e na articulação política do grupo conservador.

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Tags

comunidade evangélica culto religioso Flávio Bolsonaro JB Carvalho teologia cristã veneração à Maria

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