POLÍTICA
Boulos, Janones e Erika Hilton: PT inicia articulação para filiação de novos nomes
Partido busca ampliar seus quadros e avalia nomes para futuras disputas por prefeituras



A reorganização da esquerda brasileira entrou no radar do Partido dos Trabalhadores (PT), que começou a articular, ainda antes do segundo turno das eleições, uma estratégia para atrair lideranças de outras legendas. O movimento tem como um dos objetivos ampliar o grupo de possíveis candidatos petistas às eleições municipais de 2028 e envolve conversas para a filiação de três parlamentares: Guilherme Boulos, Erika Hilton e André Janones.
Conforme interlocutores do Partido do Trabalhadores, a estratégia visava um cenário no qual o partido ainda trabalhava com a possibilidade de derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A avaliação, naquele momento, era de que 2027 seria uma oportunidade para rever os caminhos da esquerda. Uma das alternativas consideradas consistia em reunir PT, PCdoB, PV e PSOL em uma grande federação.
Três nomes no radar petista
A movimentação envolve parlamentares de duas legendas. Guilherme Boulos e Erika Hilton são filiados ao PSOL de São Paulo, enquanto André Janones integra a Rede Sustentabilidade em Minas Gerais.
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O PT vê os três como possíveis nomes para disputas municipais. Boulos, que concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024 e foi derrotado por Ricardo Nunes no segundo turno, assumiu posteriormente o cargo de ministro no governo Lula e manteve sua projeção política. Janones, por sua vez, é apontado como possível candidato à Prefeitura de Belo Horizonte.
No caso de Boulos e Erika Hilton, a possibilidade de migração já era discutida antes do primeiro turno. Os dois integram uma corrente do PSOL que defendia apoio integral a Lula e uma federação com o PT, mas a proposta perdeu força na disputa interna da legenda.
Transferências dependem de aval das legendas
Para que a articulação resulte na mudança de partido, há um obstáculo jurídico: os parlamentares precisam de autorização das siglas às quais estão vinculados para deixar as legendas sem colocar os mandatos em risco.
Caso não consigam a liberação, Boulos, Erika Hilton e Janones poderão ter de aguardar a janela de transferência partidária próxima das eleições de 2028 ou 2030. A saída sem respaldo partidário pode resultar em processos por infidelidade partidária e na cassação dos mandatos.


