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Motivação da morte de Marielle está ligada a regularização fundiária

Além da milícia, a grilagem de terra também foi um dos pontos cruciais para o assassinato da parlamentar

Publicado domingo, 24 de março de 2024 às 14:41 h | Atualizado em 24/03/2024, 16:45 | Autor: Da Redação
Inquérito está em segredo de Justiça
Inquérito está em segredo de Justiça -

O desdobramento do assassinato da vereadora Marielle Franco elucidado pela Polícia Federal (PF) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública revelou neste domingo, 24, que, além da mílicia carioca, uma das principais motivações para a morte da parlamentar está ligada a regularização fundiária e a grilagem de terras.

“A motivação precisa ser olhada no contexto, a gente não pode dizer que houve um único e exclusivo fato. O que há são várias situações envolvendo a vereadora Marielle Franco e que envolve sim, a milícia, a disputa de territórios, a regularização de terrenos e empreendimentos que naquele contexto devemos fazer essa análise olhando a seis anos que culminou neste bárbaro assassinato”, disse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Na ocasião, o ministro Ricardo Lewandowski fez a leitura de um dos trechos do documento que aponta as causas do assassinato. 

"Aqui entende destacar que este cenário recrudesceu justamente no segundo semestre de 2017 atribuído pelo colaborador como sendo a origem de planejamento e execução, ora investigado, ocasiona a qual ressaltamos a descontrolada atuação de Chiquinho Brasão a vereadora Marielle na apertada votação ao projeto de lei à Câmara n. 174/2016. [...]. No mesmo sentido apontam diversos indícios do envolvimento dos Brasão, em especial do Domingos, com atividades criminosas incluindo as relacionados com milícias e grilagem de terra, e por fim ficou delineada as divergências no campo político sobre as questões relacionadas em defesa do direito à moradia", diz o documento. 

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O ministro ainda afirmou à imprensa que, apesar das novas revelações sobre o caso, ainda não há uma data para que o Ministério Público Federal (MPF) apresente a denúncia à Justiça. O relatório final da PF sobre o crime, segundo o gestor, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

"O relatório da Polícia Federal está pronto com mais de 477 páginas e já consta no autos. O sigilo dos autos foi retirado há poucos instantes pelo ministro Alexandre de Moraes. Esta etapa está concluída e já deve permitir que o Ministério Público Federal apresente uma denúncia, se for o caso, contra todos aqueles que foram investigados e tiveram seus nomes mencionados no inquérito policial", pontuou o titular da pasta. 

"Evidentemente, não há prazo para que oferecimento da denúncia. É uma caso extremamente complexo, as provas obtidas pela delação premiada estão nos autos. A impressão que nós temos é que existem elementos suficientes para a oferta de uma denúncia", acrescentou Lewandowski.

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Nesta manhã, as forças de segurança e o Ministério da Justiça anunciaram a prisão de Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio de Janeiro, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio, apontadoscomo mandantes do assassinato da vereadora cariocae do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Em coletiva de imprensa, nesta tarde, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o encerramento das investigações sobre os mandantes do crime da socialista "não anula que eventuais outras ações possam ser adotadas, a partir desta etapa das apreensões e análises de materiais que serão encaminhados à Justiça". 

A elucidação do caso aconteceu através da operação conjunta da Procuradoria Geral da República, do Ministério Público do Rio de Janeiro e da PF, intitulada de Operação Murder Inc.

Na oportunidade, também foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão na sede da Polícia Civil do Rio e no Tribunal de Contas do Estado. Além do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, a operação também apura a tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, que também estava na carro atacado, informou a PF em nota.

A ação acontece após o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, preso por atirar na vereadora.

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