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'CARTA AOS BRASILEIROS'

Carta de Bolsonaro violou restrições da prisão domiciliar, diz PGR

Documento foi lido pelo senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais

Gustavo Nascimento
Por
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República - Foto: Ton Molina | STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou nesta sexta-feira, 17, que Jair Bolsonaro (PL) descumpriu as restrições sobre sua prisão domiciliar impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao entregar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma carta que foi lida em suas redes sociais.

O conteúdo do documento era um pedido de conciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

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Apesar de reconhecer a violação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a manutenção da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente. Para ele, o episódio não justifica o retorno imediato de Bolsonaro ao regime fechado.

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Na manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, Gonet sugeriu que sejam estabelecidas novas medidas para impedir que contatos pessoais do ex-presidente sejam utilizados para transmitir mensagens capazes de interferir nas eleições deste ano.

Entenda a restrição

Bolsonaro está proibido de usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros. As condições da prisão domiciliar também impedem o uso direto ou indireto de redes sociais, de modo que a entrega da carta a Flávio e a posterior divulgação do documento se enquadram nessas proibições.

“A carta se ajusta precisamente à proibição pelo STF de 'qualquer outro meio de comunicação externa'”, afirmou Paulo Gonet. O procurador-geral acrescentou que a publicação feita por Flávio está abrangida pelo veto à comunicação “diretamente ou por intermédio de terceiros”.

A defesa de Bolsonaro, por sua vez, havia afirmado ao STF que o ex-presidente “jamais soube” que o documento seria divulgado nas redes sociais. Os advogados negaram qualquer orientação, acordo ou combinação prévia entre pai e filho para a publicação.

Interferência nas eleições

No entanto, Gonet entendeu que as circunstâncias indicam que Bolsonaro entregou a carta com a intenção de que ela fosse divulgada. O procurador-geral destacou que o documento foi apresentado como uma “Carta aos Brasileiros”, chamando Flávio de “porta-voz” do ex-presidente e declarando apoio à pré-candidatura do senador ao Palácio do Planalto.

Carta de Jair Bolsonaro lida por Flávio nas redes sociais
Carta de Jair Bolsonaro lida por Flávio nas redes sociais - Foto: Reprodução | Redes sociais

No texto, Bolsonaro pede que seus apoiadores deixem as diferenças de lado e se empenhem pela candidatura do filho, além de afirmar que Flávio seria a “melhor opção” para a Presidência da República.

A PGR considerou que esses trechos demonstram que a carta teve o “inequívoco intuito de alcançar e influenciar o público com interesse no processo eleitoral deste ano”.

Visitas de Flávio suspensas

Após a divulgação da carta, Moraes suspendeu por 90 dias a autorização para que Flávio visite o pai na prisão domiciliar. Na decisão, o ministro afirmou que a publicação desrespeitou as condições impostas a Bolsonaro e determinou que a defesa do ex-presidente prestasse esclarecimentos.

Alexandre de Moraes também acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) para que avalie a possível prática de propaganda eleitoral antecipada por parte de Flávio.

Situação do ex-presidente

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, inicialmente em regime fechado, por conta da tentativa de golpe de estado. Em março, Moraes autorizou que o ex-presidente passasse a cumprir prisão domiciliar por 90 dias devido a razões de saúde, medida que foi prorrogada no início de julho.

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