Busca interna do iBahia
HOME > POLÍTICA

IMPOSTO DO PECADO

Cigarros, bebidas e veículos: novo imposto aumentará custos em 2027

Medida provisória assinada por Lula estabelece regras para desestimular consumo

Ane Catarine
Por
| Atualizada em
Bebidas e cigarros terão tributação maior a partir de 2027
Bebidas e cigarros terão tributação maior a partir de 2027 - Foto: Felipe Iruatã / Ag. A Tarde
Eleições 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na noite de quarta-feira, 4, e enviou ao Congresso Nacional a medida provisória (MP) que estabelece as regras de cobrança do Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”.

O tributo foi criado pela reforma tributária sobre o consumo e prevê a cobrança de taxas maiores sobre produtos e atividades que podem causar danos à saúde ou ao meio ambiente.

Tudo sobre Política em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.
Pessoa fumando
Pessoa fumando - Foto: Joá Souza / Ag. A TARDE

A proposta é encarecer esses itens para desestimular o consumo e reduzir os impactos que provocam. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros.

O imposto também será aplicado a determinados veículos, de acordo com critérios ambientais, à extração de bens minerais, além de loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

Como vai funcionar o Imposto Seletivo?

A forma de cobrança vai variar conforme o produto ou a atividade. Isso significa que o cálculo do imposto não será igual para todos os itens porque cada categoria terá critérios específicos para definir o valor a ser pago.

No caso das bebidas alcoólicas, por exemplo, quanto maior o teor de álcool, maior será a tributação. Para os veículos, as alíquotas poderão variar de acordo com fatores relacionados ao impacto ambiental, como o nível de poluição.

Outra característica do tributo é que ele será cobrado uma única vez sobre cada bem ou serviço.

Na prática, isso significa que o imposto não será acumulado em todas as etapas de fabricação e comercialização até o produto chegar ao consumidor.

Quando começa a cobrança?

Embora a previsão seja de que o Imposto Seletivo entre em vigor em 2027, a cobrança não começará necessariamente em 1º de janeiro.

O tributo está sujeito à chamada noventena, regra que determina um intervalo mínimo de 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança.

Segundo o governo, esse prazo deve se estender provavelmente até fevereiro de 2027.

Durante o período de transição, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) continuará sendo cobrado sobre os itens atingidos para evitar perdas de arrecadação.

Quanto o governo espera arrecadar?

A equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o Imposto Seletivo em 2027, segundo a proposta de Orçamento enviada ao Congresso Nacional.

A cobrança do novo tributo, junto com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), também criada pela reforma tributária e prevista para começar a ser cobrada em 2027, faz parte da estratégia do governo para manter a arrecadação estável em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Quem terá direito à alíquota zero?

A medida provisória prevê alíquota zero do Imposto Seletivo para determinados grupos sociais, profissionais e veículos que atendam a critérios específicos.

Entre os beneficiados estão pessoas com deficiência (PCD), pessoas com transtorno do espectro autista e motoristas profissionais de táxi.

Para ter acesso ao tratamento diferenciado, a condição do beneficiário deverá ser reconhecida previamente pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.

A proposta também prevê alíquota zero para veículos automotores, embarcações e aeronaves que utilizem tecnologias sustentáveis.

Nesse caso, os veículos precisam ter o registro de versão sustentável concedido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e cumprir, ao mesmo tempo, exigências ambientais e industriais.

Quais veículos ficarão livres do Imposto Seletivo?

Os caminhões não serão tributados. Para o governo, são considerados caminhões os veículos automotores destinados ao transporte de cargas com peso bruto total igual ou superior a 3.500 quilos.

As picapes, por outro lado, não entram nessa classificação e estarão sujeitas ao imposto, independentemente do peso bruto total ou da presença de cobertura removível na caçamba.

Caminhão
Caminhão - Foto: Shirley Stolze / Ag A Tarde

Também ficam fora da cobrança os veículos, aeronaves e embarcações destinados exclusivamente ao uso operacional das Forças Armadas e dos órgãos de segurança pública.

Leia Também:

PROGRAMA MOVER

Carros mais baratos: o que muda no preço a partir de janeiro de 2027
Carros mais baratos: o que muda no preço a partir de janeiro de 2027 imagem

ECONOMIA

Imposto do pecado: bebidas alcóolicas e cigarros devem ficar mais caros em 2027
Imposto do pecado: bebidas alcóolicas e cigarros devem ficar mais caros em 2027 imagem

POLÍTICA

Imposto do pecado: veículos, loterias, álcool e cigarros terão maior taxação
Imposto do pecado: veículos, loterias, álcool e cigarros terão maior taxação imagem

O que dizem os estudos sobre os produtos atingidos?

A justificativa para a criação do Imposto Seletivo inclui os impactos que o consumo de determinados produtos pode provocar na saúde pública e na economia.

Estudos citados pelo governo apontam custos elevados relacionados ao consumo de álcool, cigarros e bebidas açucaradas.

No caso do álcool, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), citado pelo Ministério da Saúde, estima que o consumo gerou R$ 18,8 bilhões em custos em 2019.

Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a gastos federais com saúde e R$ 17,7 bilhões a perdas de produtividade, relacionadas a mortes prematuras, afastamentos do trabalho e outros fatores.

Em relação ao cigarro, doenças associadas ao tabagismo geram R$ 153,5 bilhões em custos anuais, segundo o Ministério da Saúde.

A arrecadação federal com a venda de cigarros, por sua vez, é de aproximadamente R$ 8 bilhões por ano.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

imposto do pecado Imposto Seletivo Lula reforma tributária

Relacionadas

Mais lidas