POLÍTICA
“Deus, Pátria e Família”: Edir Macedo faz críticas ao lema do bolsonarismo
Fala de Edir Macedo foi feita em culto no domingo da eleição e viralizou nas redes sociais



A relação entre religião, família e Estado foi tema de uma declaração do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que voltou a circular nas redes sociais neste fim de semana. O líder religioso questionou o lema "Deus, Pátria e família", associado à família Bolsonaro, e defendeu que a família ocupe o segundo lugar na hierarquia, depois de Deus.
Embora tenha ganhado repercussão recentemente, a manifestação foi feita na manhã de 25 de outubro, domingo do segundo turno das eleições presidenciais. Durante um culto, Macedo utilizou personagens bíblicos para justificar seu posicionamento e explicar a ordem de prioridades adotada pela instituição.
“Eu não aprovo aquela teoria "Deus, pátria e família" (...). Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser. Na igreja Universal do Reino de Deus nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus. Assim foi com Abraão, assim foi com Isaac, assim foi com quem seguiu esse padrão: Deus, família, e então, o resto”, diz Edir Macedo, citando personagens bíblicos durante a declaração no culto.
Na sequência, o bispo voltou a questionar a possibilidade de existir uma pátria sem a estrutura familiar.
“Se não houver família, vai haver pátria? — questiona, enfatizando a declaração no púlpito aos fieis. —Hein? Impossível! Só vai haver pátria quando vier da família, que vem de Deus. Primeiro Deus, aí a família e todas as demais coisas.”
Distanciamento eleitoral
A manifestação ocorre em um cenário de afastamento da Igreja Universal da disputa presidencial deste ano. Diferentemente de 2022, quando a instituição apoiou Jair Bolsonaro (PL) na tentativa de reeleição, a denominação evitou se posicionar diretamente no confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o primeiro turno.
Na ocasião, a estratégia da igreja esteve concentrada na eleição de representantes alinhados à instituição e aos seus valores para o Legislativo. Bispos participaram de uma campanha espiritual que defendia a construção de “muros” contra iniciativas consideradas ameaças à organização, entre elas o PL da Misoginia e a taxação de templos.
O desempenho eleitoral, porém, ficou aquém do esperado. Dos 12 deputados federais da Universal, todos filiados ao Republicanos, que disputaram a reeleição, seis não conseguiram permanecer na Câmara.
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Entre os resultados em São Paulo, Marcos Pereira e Maria Rosas conquistaram novos mandatos, mas receberam menos votos do que em 2022. Milton Vieira e Vinicius Carvalho, por outro lado, não conseguiram se reeleger.
Pereira, que também preside nacionalmente o Republicanos, passou de 231 mil votos, há quatro anos, para 196 mil nesta eleição.
Derrotas também no Senado
O resultado eleitoral também atingiu representantes evangélicos no Rio de Janeiro. O estado rompeu uma tradição de eleger um senador com identidade evangélica quando duas vagas estão em disputa.
Desta vez, Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos) foram derrotados por Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL e associados ao bolsonarismo.
Para analistas, os resultados indicam uma mudança no espaço ocupado por políticos evangélicos ligados ao bolsonarismo. Segundo essa avaliação, parlamentares que contaram com o aval de igrejas vêm perdendo terreno entre eleitores que compartilham da mesma identidade religiosa, mas não necessariamente seguem as orientações de pastores e bispos.


