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MONOPÓLIO

Empresa vence 3 lotes de licitação e levanta dúvidas em Itapetinga

Contrato de quase R$ 3 milhões se concentrou em única empresa fornecedora

Rodrigo Tardio
Por
Contratofoi projetado para suprir demandas diárias de todas as secretarias do município
Contratofoi projetado para suprir demandas diárias de todas as secretarias do município - Foto: Reprodução
Eleições 2026

Uma polêmica levantou dúvidas entre munícipes, após o prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), homologar um Pregão Eletrônico, voltado à contratação de fornecimento de marmitex, coffee breaks, kits de lanche e serviços de buffet.

O contrato, projetado para suprir as demandas diárias de todas as secretarias do município, prevê um orçamento total estimado em R$ 2.931.930,00. A homologação ocorre após o insucesso do Pregão Eletrônico nº 008/2026, que havia sido declarado fracassado.

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Na nova disputa, a firma individual Irlandia da Silva Brito, de nome fantasia “Tina Restaurante”, arrematou a totalidade dos itens previstos no edital. O montante foi dividido em três lotes: R$ 1.600.280,00 (Lote 1), R$ 588.400,00 (Lote 2) e R$ 743.250,00 (Lote 3).

Imagem ilustrativa da imagem Empresa vence 3 lotes de licitação e levanta dúvidas em Itapetinga

Concentração de lotes em xeque

A opção da gestão municipal por aglutinar os três lotes sob o encargo de uma única fornecedora tornou-se alvo de críticas no município.

Embora a Nova Lei de Licitações (Lei Federal nº 14.133/21) permita à administração optar pela aglutinação do objeto conforme o interesse público, especialistas em direito administrativo apontam que o parcelamento é o meio recomendado para ampliar a competitividade do certame e evitar a dependência excessiva de um único contratado.

Outro ponto sob escrutínio diz respeito à capacidade operacional do estabelecimento. Dados da Receita Federal indicam que a microempresa possui capital social declarado de R$ 100.000,00.

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Dúvidas

O porte e a infraestrutura física do restaurante levantaram dúvidas na sociedade civil e entre órgãos de fiscalização sobre a viabilidade de atendimento simultâneo a todas as pastas da máquina pública.

O valor elevado alocado para despesas alimentícias e a celeridade no desfecho da nova licitação reacendem o debate sobre a aplicação dos recursos públicos municipais, sobretudo no contexto de um ano eleitoral, momento em que a fiscalização sobre os atos de gestão costuma ser intensificada.

Taxas cemiteriais

Em março deste ano, a administração municipal publicou um chamamento público no valor total previsto de R$ 378.997,20 destinado ao credenciamento de empresas do setor. O processo, no entanto, acendeu alertas de opositores pela ausência de competitividade, ja que apenas a firma Samuel Rodrigues Jacob Sousa Moreira tinha sido habilitada.

A tabela aprovada previa o fornecimento de urnas mortuárias com preços unitários que partem de R$ 1.556,56 e superam a marca de R$ 2.400,00.

"Se as tarifas tivessem sido mantidas em patamares razoáveis, a própria arrecadação direta sustentaria o serviço. O governo criou uma crise para vender uma solução cara aos cofres públicos", disse um morador de Itapetinga, à època, sob condição de anonimato.

Abismo tarifário e "aluguel" de jazigos

O levantamento dos valores autorizados pela Prefeitura revelou uma disparidade em relação à tabela praticada até dezembro de 2024. A cova rasa, cujo custo era de R$ 50,00, saltou para R$ 200,00 — um aumento de 300%.

O valor do túmulo individual registrou um reajuste de 400%, subindo de R$ 300,00 para R$ 1.500,00. O impacto financeiro às famílias não para no momento do sepultamento.

Editado no início do ano passado, o Decreto Municipal nº 231/2025 instituiu a chamada "taxa de permanência". A norma exigia o pagamento anual correspondente a 50% do valor do contrato original para que os restos mortais do ente querido continuem no local.

Revolta popular

Analistas da oposição e lideranças comunitárias afirmam que a manobra da gestão criou uma dependência artificial do caixa municipal. De acordo com a tese dos críticos, ao encarecer bruscamente os serviços diretos, o governo inviabilizou o pagamento do próprio bolso pelas classes mais pobres, gerando uma demanda assistencial que agora vai ser drenada para repasses à iniciativa privada.

O clima de comoção em velórios tem sido frequentemente interrompido por manifestações de descontentamento contra a administração de Eduardo Hagge. Em defesa, à época, o Executivo sustentou que as taxas não sofriam reajuste desde 2006 — argumentação contestada pelos moradores, que apontam a omissão do governo em relação aos preços que vigiam regularmente até o final de 2024.

A reportagem procurou o prefeito Eduardo Hagge e ainda aguarda resposta ao questionamento.

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contratação pública Eduardo Hagge itapetinga licitação Serviços de Buffet

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