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DENÚNCIA

Esposa de vereador na Bahia é suspeita de receber benefícios sociais

Ação aponta incompatibilidade de renda da família de parlamentar com programas sociais

Rodrigo Tardio
Por
Petição aponta ainda que um terceiro integrante da família, recebe parcelas do programa federal Pé-de-Meia
Petição aponta ainda que um terceiro integrante da família, recebe parcelas do programa federal Pé-de-Meia - Foto: Reprodução
Eleições 2026

Uma notícia-crime protocolada nesta segunda-feira, 10, no Ministério Público Federal (MPF) pede a apuração do recebimento de benefícios sociais por Elisandra Ferreira Sena, esposa do vereador de Acajutiba, nordeste da Bahia, Anselmo Oliveira dos Santos (MDB).

Documentos públicos anexados à petição indicam que Elisandra figura como beneficiária de programas voltados à população de baixa renda, como o Bolsa Família e o Gás do Povo, além de ter recebido auxílio financeiro da Educação de Jovens e Adultos (EJA) pago pelo próprio município.

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Incompatibilidade

O ponto central da representação é a incompatibilidade de renda do núcleo familiar com os critérios de vulnerabilidade exigidos pelos programas sociais.

Folhas de pagamento do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) revelam que Anselmo recebe subsídio de R$ 9.900,00 como vereador, valor acumulado com a remuneração de um cargo efetivo de agente de vigilância na Prefeitura local. Elisandra também já exerceu função administrativa remunerada na administração municipal.

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Divergências

O casamento entre ambos é público e ostentado em redes sociais. Contudo, a denúncia destaca que, no cadastro da Justiça Eleitoral, o vereador consta formalmente como "solteiro".

A petição aponta ainda que um terceiro integrante da família, também contratado pela Prefeitura, recebe parcelas do programa federal Pé-de-Meia, voltado a estudantes do ensino médio público.

A identidade dessa pessoa não foi divulgada na queixa, e cabe ao MPF checar o grau de parentesco junto ao Cadastro Único (CadÚnico) e aos registros civis.

Com base em dados do TCM-BA, Portal da Transparência do Governo Federal e TSE, a representação requer a abertura de procedimento investigador pelo MPF, o acesso ao histórico do CadÚnico e, em caso de comprovação de irregularidades, a suspensão dos benefícios e o ressarcimento dos cofres públicos.

A reportagem procurou tanto o vereador Anselmo Oliveira, quanto a Prefeitura Municipal, e aguarda resposta aos questionamentos.

Contrato irregular

Mês passado, uma decisão do Tribunal de Contas resultou na interrupção imediata dos repasses referentes ao Contrato nº 062-2025, firmado pela Prefeitura Municipal de Acajutiba no valor total de R$ 504.440,00.

Os recursos, provenientes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), destinavam-se à compra de itens da agricultura familiar para a merenda das escolas públicas durante o ano letivo de 2025.

O processo tem como alvos o prefeito do município, Jadiel Souza de Jesus (MDB), e a secretária municipal de Educação, Rose Maria Ramos de Souza Moreira.

Servidor contratado

A gravidade da situação envolve a identidade do beneficiário na Chamada Pública nº 002-2025. O acordo, assinado em 19 de março de 2025, contemplou Roberto Graciliano de Assis, ocupante do cargo temporário de motorista na própria administração municipal (matrícula 6169).

Com o acerto, o funcionário passou a acumular o salário pago pela prefeitura com os valores do fornecimento de mantimentos contratado pela própria gestão.

A prática infringe frontalmente a Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), que veda de maneira categórica a participação de servidores do órgão contratante em licitações e contratos públicos.

A denúncia aponta ainda conflito de interesses, facilidade de acesso do servidor aos gestores e dependências da prefeitura, ausência de cláusula de proibição expressa no edital de convocação e falhas na aplicação de verbas federais repassadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Cruzamento de dados e cautelar

A anomalia foi detectada de forma preventiva pelo Tribunal por meio do Sistema Integrado de Gestão e Auditoria (SIGA). O cruzamento entre a folha de pagamento e os registros de contratos administrativos expôs a duplicidade do vínculo do motorista.

O relator deferiu o pedido de medida cautelar determinando a abstenção total de pagamentos a Roberto Graciliano de Assis até o julgamento definitivo do mérito. Na fundamentação, ressaltou que, embora a anulação formal caiba à Câmara Municipal, o Tribunal possui competência legal para sustar a execução financeira para proteger o erário e evitar prejuízos à população.

A decisão monocrática, emitida em 27 de novembro de 2025, foi homologada pela 1ª Câmara do Tribunal em 10 de dezembro de 2025, paralisando o fluxo da verba antes do consumo integral da quantia.

Desdobramentos e novas investigações

Com a suspensão confirmada, o prefeito Jadiel Souza de Jesus e a secretária Rose Maria Ramos de Souza Moreira dispõem de 20 dias para apresentar defesa e enviar a cópia integral do processo administrativo. O servidor Roberto Graciliano de Assis também foi notificado a prestar esclarecimentos, enquanto o processo segue em instrução para análise final.

Em paralelo, registros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) embasaram em abril de 2026 uma denúncia sobre desvio de finalidade e conflito de interesses na cúpula do transporte municipal.

O foco recai sobre o comissionado Jesiel Ribeiro de Santana, gerente de Transporte Escolar, que entre março de 2025 e janeiro de 2026 recebeu 15 diárias para viagens a Salvador. O questionamento central reside no fato de o gestor de frota ter participado de agendas alheias à sua função, como encontros da UNDIME, formações de alfabetização infantil e planejamentos contábeis.

A administração também acumulou investimentos expressivos em outros setores. Em março de 2025, em meio a queixas sobre a precariedade na saúde — relatadas pelo vereador Joilson Alves (Tatu de Zito, PRD) em relação a dificuldades de agendamento e falta de remédios —, Jadiel Souza abriu licitação superior a R$ 6 milhões para coleta de lixo, varrição, capina e limpeza urbana na sede e nos povoados.

À época, procurada pela reportagem a respeito do contrato da merenda escolar, a Prefeitura de Acajutiba informou que ainda aguarda resposta aos questionamentos levantados.

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Tags

Acajutiba Bolsa Família corrupção investigação irregularidades programas sociais

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