POLÍTICA
Ex-ministro de Maduro admite lavagem de dinheiro e fará acordo nos EUA
Acordo ocorre após empresário voltar à Justiça americana após novas suspeitas



A colaboração de Alex Saab com a Justiça dos Estados Unidos pode abrir caminho para novas informações sobre um suposto esquema de corrupção na Venezuela. O empresário colombiano, que ocupou o cargo de ministro da Indústria no país e é apontado como aliado próximo de Nicolás Maduro, aceitou entregar US$ 195 milhões às autoridades americanas e poderá auxiliar em outras investigações federais.
O acordo foi firmado nesta terça-feira, 15, quando Saab se declarou culpado por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. Além de colaborar com os investigadores, ele poderá fornecer informações relacionadas a quatro outros acusados, que não tiveram os nomes divulgados.
A expectativa das autoridades também envolve possíveis informações sobre Maduro. Saab foi descrito durante anos por investigadores americanos como um operador financeiro do ex-presidente venezuelano e apontado como seu “laranja”.
Mais de uma década sob investigação
A relação de Saab com a Justiça americana começou antes mesmo de sua prisão. Ele foi formalmente acusado em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump, sob suspeita de envolvimento em uma rede de subornos para obtenção de contratos públicos na Venezuela.
No ano seguinte, o empresário foi preso em Cabo Verde, durante uma parada para abastecimento de seu avião. Na ocasião, o governo venezuelano afirmou que Saab realizava uma missão humanitária com destino ao Irã.
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A extradição para os Estados Unidos ocorreu em maio deste ano, após uma decisão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Indulto concedido por Biden
Antes de voltar a enfrentar a Justiça americana, Saab havia sido beneficiado por um acordo diplomático.
Em 2023, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, concedeu um indulto ao empresário em troca da libertação de vários americanos que estavam presos na Venezuela. A negociação fazia parte da estratégia da Casa Branca para pressionar Maduro a realizar eleições presidenciais livres.
O perdão, porém, gerou críticas de republicanos e de autoridades federais de segurança. Depois da medida, investigadores americanos passaram a apurar Saab novamente por supostos crimes que não estavam contemplados no acordo de perdão.
Pena pode ser reduzida
A acusação de lavagem de dinheiro pode resultar em uma pena de até 20 anos de prisão. Pelo acordo firmado com a Justiça, entretanto, os procuradores se comprometeram a recomendar uma punição próxima ao mínimo previsto.
A colaboração de Saab poderá pesar ainda mais na definição da pena. Caso os investigadores considerem que as informações fornecidas foram úteis, os procuradores também poderão solicitar novas reduções.


