JORNADA DE TRABALHO
Fim da escala 6x1: Jerônimo e Alckmin tentam tranquilizar empresários após aval do Senado
Governador defendeu diálogo com setor produtivo para ajustar mudanças



Um dia após o Senado aprovar a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, o governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), se reuniram com empresários baianos nesta quinta-feira, 15, no hotel Wyndham Hangar, em Salvador.
O encontro, acompanhado por A TARDE, foi marcado pela discussão sobre os desafios e as perspectivas para o futuro do Brasil, em meio àpreocupação do setor produtivo com os possíveis impactos da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Além de Jerônimo e Alckmin, participaram do evento representantes do setor empresarial baiano e nacional, entre eles o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

A agenda também integra a mobilização para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e as ações de fortalecimento da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia.
Jerônimo defende nova jornada e busca tranquilizar empresários
Durante o encontro, Jerônimo Rodrigues afirmou que os governos estadual e federal estão abertos ao diálogo com o setor produtivo e dispostos a ouvir as demandas.
Ao abordar a redução da jornada de trabalho, o governador defendeu o modelo 5x2 e argumentou que a mudança beneficia tanto os trabalhadores quanto os empresários.
Essa nova jornada 5x2 não pode ser um atraso para nós. O trabalhador precisa ser bem tratado, precisa ter direitos. Quando nós defendemos uma jornada justa, serve também para o investidor saber que o trabalhador dele vai produzir mais se for bem tratado Jerônimo Rodrigues - Governador reeleito da Bahia
O governador também comparou as preocupações atuais com os receios manifestados em outras mudanças nas relações de trabalho.
Para ele, o temor de prejuízos econômicos, desemprego e inflação não se justifica.
“Nós superamos essa essa conversa de que o investidor terá prejuízo, que terá desemprego e inflação. Nós superamos isso com a aprovação da PEC”, disse Jerônimo.
O petista ainda defendeu a reeleição de Lula como forma de dar continuidade ao projeto político do atual governo.

Alckmin recebe demandas do setor produtivo
Durante o encontro, Alckmin recebeu das entidades empresariais documentos com reivindicações e propostas para o setor.
O vice-presidente afirmou que pretende analisar as demandas e manter o diálogo com os representantes da iniciativa privada, além de continuar articulando investimentos para a Bahia.
Quem ouve mais, erra menos. Essa é a beleza da democracia. A democracia é estar permanentemente ouvindo e dialogando. Por isso, vou colocar esses documentos na minha mesa de trabalho Geraldo Alckmin - Vice-presidente da República
A disposição para ouvir os empresários também apareceu na discussão sobre a carga tributária brasileira, apontada por Alckmin como uma das principais reclamações do setor produtivo.
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Vice-presidente destaca mudanças na tributação
Ao falar sobre os impostos, Alckmin classificou o sistema tributário brasileiro como um “manicômio tributário” e destacou a Reforma Tributária aprovada durante o governo Lula.
A mudança prevê a substituição gradual de cinco tributos pelo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, formado pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
“O Brasil é um manicômio tributário. É muito imposto. No entanto, os cinco tributos se tornarão apenas dois. Vai desonerar”, pontuou.
A reforma prevê a substituição gradual de cinco tributos pelo novo sistema:
- PIS: tributo federal;
- Cofins: tributo federal;
- IPI: tributo federal;
- ICMS: tributo estadual;
- ISS: tributo municipal.
A transição para o novo modelo será gradual.


