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Flávio Bolsonaro já chamou Bolsa Família de “esmola” e atacou benefícios

Mensagens resgatadas mostram críticas ao Bolsa Família e proposta para limitar benefício

Luan Julião
Por
Mensagens de 2010 a 2013 mostram ataques a programas sociais e críticas à dependência do Estado
Mensagens de 2010 a 2013 mostram ataques a programas sociais e críticas à dependência do Estado - Foto: REPRODUÇÃO / TV GLOBO
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O Bolsa Família e outros programas de transferência de renda foram alvos de críticas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em publicações feitas entre 2010 e 2013. Nas mensagens, o candidato à Presidência associava os benefícios à compra de votos, acusava o PT de explorar a pobreza para se manter no poder e questionava a permanência de famílias na assistência estatal.

Uma das manifestações mais antigas, publicada em 5 de abril de 2010, trazia uma crítica direta ao programa federal:

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“Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente.”

Imagem ilustrativa da imagem Flávio Bolsonaro já chamou Bolsa Família de “esmola” e atacou benefícios
Foto: Reprodução / ICL

A ofensiva contra as políticas de transferência de renda também apareceu na atuação de Flávio como deputado estadual no Rio de Janeiro. Em novembro de 2011, ele se posicionou contra o Renda Melhor, iniciativa que complementava a renda de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.

Na votação realizada em 23 de novembro daquele ano, o parlamentar foi o único contrário ao projeto, aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por 54 votos a um. Flávio chamou o benefício de “bolsa-farelo estadual”.

No dia seguinte, afirmou ter apresentado emendas para limitar o período de recebimento a dois anos. “Fiz emendas ao projeto […] para limitar em 2 anos.”

Em outra mensagem publicada na mesma data, argumentou que a ausência de um prazo máximo poderia estimular a dependência dos beneficiários em relação ao Estado.

Acusações contra o PT

As críticas de Flávio não se restringiram ao funcionamento dos benefícios. Em 25 de agosto de 2011, ele contestou um reajuste de benefício social e classificou a medida como uma forma de financiamento público da campanha do PT.

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Já em 24 de junho de 2013, voltou a acusar o partido de manter famílias na pobreza para preservar sua base eleitoral. Na ocasião, utilizou a expressão “bolsa-farelo” para se referir à política de assistência social.

Imagem ilustrativa da imagem Flávio Bolsonaro já chamou Bolsa Família de “esmola” e atacou benefícios
Foto: Reprodução / ICL

As publicações voltaram a circular nesta segunda-feira19, a seis dias do segundo turno presidencial, em meio a denúncias de que conteúdos antigos de Flávio contra programas sociais teriam sido excluídos do X, antigo Twitter. Embora existam registros anteriores de parte das mensagens, não foi possível confirmar de forma independente quando elas teriam sido removidas da plataforma.

Campanha volta a discutir permanência em programas

A recuperação das críticas antigas ocorre no mesmo dia em que Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, defendeu mudanças relacionadas à permanência de famílias no Bolsa Família.

Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, ela propôs a criação de um Ministério da Prosperidade e afirmou que a iniciativa buscaria:

“Libertar o Brasil dessa prisão assistencialista.”

Daniella também disse que os programas sociais podem estabelecer uma relação “tóxica e abusiva” quando são utilizados politicamente para provocar medo entre os beneficiários.

A proposta apresentada prevê uma transição de dois anos para famílias que consigam emprego formal ou decidam abrir um negócio. Durante esse período, elas poderiam buscar autonomia financeira e, caso perdessem a renda ou não conseguissem se manter, teriam direito ao retorno automático ao programa.

“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família, aquilo é uma proteção mas é o início de uma jornada e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade”, afirmou.

A coordenadora declarou que não pretende cortar os programas sociais e defendeu qualificação profissional, acesso ao crédito e incentivo ao empreendedorismo.

Embora o prazo de dois anos apareça tanto na proposta atual quanto na iniciativa apresentada por Flávio em 2011, os modelos são diferentes. Na ocasião, o então deputado pretendia limitar o tempo de recebimento de um benefício estadual. Agora, a campanha defende uma transição para beneficiários que consigam ingressar no mercado de trabalho ou empreender, com possibilidade de retorno ao Bolsa Família.

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Tags

Bolsa Família críticas sociais emprego e dignidade Flávio Bolsonaro política de assistência Transferência de renda

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