GREVE DA PM
Isidório relembra tortura após ser preso por greve da PM em 2001
Deputado federal foi uma das lideranças da paralisação dos agentes de segurança



O deputado federal e pastor sargento Isidório (Avante) relembrou o período em que sofreu tortura no ano de 2001, quando foi preso por ser uma das lideranças da greve da Polícia Militar, que exigia melhora nas condições salariais da categoria. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 29, o parlamentar detalhou o ocorrido e relatou que a ordem era de que ele fosse executado.
Segundo o deputado, ele foi sequestrado em Brasília enquanto denunciava abusos sofridos pela categoria na gestão conduzida pelo então governador César Borges (PFL). Em relato, Isidório afirmou que homens armados o conduziram, levando-o a um cativeiro perto de produtos químicos que deixaram sequelas à sua saúde.
“Fui emboscado e preso em Brasília sem ordem judicial. Queriam dar fim à minha vida, o que não ocorreu pela presença de PMs de outros estados que ali estavam ao meu lado quando chegaram os homens armados para me ‘conduzir’. Fiquei aproximadamente 10 dias desaparecido da minha família, fui encontrado já desacordado e gofando sangue no porão do 10° Grupamento de Bombeiros Militar cercado por um matagal sendo socorrido para a UTI do hospital em Cajazeiras”, afirmou o deputado, trazendo reportagens do jornal A TARDE da época.
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Solto e preso novamente
Após deixar a UTI, Isidório contou que foi preso novamente em Salvador, na Congregação Cristã no Brasil (CCB), na região da antiga Rodoviária. Depois de ser detido, o deputado foi levado para uma região militar no Alto de Ondina, onde, segundo ele, foi torturado mais uma vez por um tenente da corporação.
“Nas madrugadas eram apagadas as luzes e, sem enxergarmos ninguém, eram disparadas rajadas intermitentes e sequenciadas de metralhadoras. Enquanto isso, minha família já estava abalada e escondendo de mim um AVC sofrido por minha mãe, causado por integrantes criminosos de um estado insano que deram-lhes falsas notícias dizendo ter o meu corpo sido encontrado cravado de balas em um local qualquer”, relatou Isidório em carta enviada a oficiais da PM, obtida pelo portal A TARDE.
Repercussão
O pronunciamento de Isidório ocorreu após uma reportagem publicada pelo A TARDE neste domingo, 27. Na matéria, foi trazido detalhes sobre a greve dos agentes de segurança, que exigia aumento do salário, que variava de R$ 450 a R$ 575, como também a libertação dos líderes do movimento grevista: o tenente Ewerton Uzeda e o sargento Isidório.


