SUCESSÃO DE LULA
Jerônimo cita Alckmin entre sucessores de Lula: “Não precisa ser do PT"
Governador defende continuidade do projeto do presidente e cobra maior participação do Nordeste



O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não precisa necessariamente ser filiado ao Partido dos Trabalhadores.
Em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta quarta-feira, 4, ele afirmou que a escolha deve considerar lideranças alinhadas ao projeto político do atual governo e citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como exemplo.
“A transição (para o quarto mandato) vai ser um grande exercício para o processo sucessório no futuro, não agora. O sucessor não precisa ser necessariamente do PT. Tem que ser de um campo que conduza o que fizemos até aqui, para que o Brasil continue em boas mãos”, afirmou.
A Bahia foi, mais uma vez, considerada fundamental para a vitória de Lula na disputa eleitoral, dando um percentual superior a 73% dos votos válidos neste ano. Em razão do protagonismo nordestino, Jerônimo também cobrou uma maior participação da região nas decisões nacionais do PT e na composição do governo federal.
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Exemplo de liderança
Questionado sobre possíveis nomes para suceder Lula, Jerônimo ponderou que ainda é cedo para discutir candidaturas. O governador destacou, porém, que lideranças de outros partidos podem ter espaço na construção da continuidade do projeto governista.
“Lula nem montou o Ministério. Ele não surgiu como líder pronto para ser presidente. Foi construindo os ambientes. Só que nós temos pouco tempo. Os nomes colocados precisam aparecer numa posição adequada (no governo). O vice-presidente Geraldo Alckmin ajudou bastante e não é do PT”, declarou.
Para Jerônimo, a escolha de uma liderança também deve considerar a capacidade de ouvir diferentes setores da sociedade, incluindo o mercado financeiro, sem deixar de lado as demandas populares.
“Saber ouvir o que as ruas estão dizendo. Entender o que o mercado está falando e filtrar, porque tinha precificado a vitória do Flávio Bolsonaro e agora resolveu apressar a nomeação de ministro da Fazenda. É legítimo cobrar, mas não forçar. O Lula precisa de tempo adequado para escolher o ministro”, disse.
Governador cobra mais espaço para o Nordeste
Na entrevista, Jerônimo defendeu que o peso político do Nordeste seja considerado na organização do PT e na distribuição de espaços de decisão. Ele destacou que os quatro governadores petistas são da região e que a maioria dos senadores do partido também está no Nordeste.
“O PT nacional precisa enxergar que são quatro governadores do partido, todos do Nordeste. A maior parte dos senadores também. Temos uma força para ser calibrada da forma adequada”, afirmou.
O governador ponderou que a quantidade de votos recebida por Lula na Bahia não deve ser usada como uma conta automática para reivindicar ministérios, mas defendeu o reconhecimento político da região.
“Não significa impor ao Lula uma troca. Mas política se faz com reconhecimento. O Nordeste precisa ser visto e pode contribuir. A Bahia tem bons nomes. Queremos dividir com Lula a responsabilidade e dizer: ‘A decisão é sua, mas estão aqui (os nomes)’”, acrescentou.
Jerônimo também comentou a crítica feita pela ex-senadora Kátia Abreu (PT) à atuação de integrantes de São Paulo na coordenação da campanha de Lula. Para ele, o Nordeste não deve ser visto apenas como uma região importante para garantir votos, mas precisa participar da formulação das políticas nacionais.
“Não queremos ser só fonte de voto. Vamos nos colocar como dirigentes de uma política nacional de desenvolvimento, investimento na infraestrutura, pensamento na ciência... Dentro do governo e do partido. É construção. Temos que ocupar espaço e colocar uma plataforma à mesa”, afirmou.
Tensão no PT?
O governador também questionou a concentração das decisões partidárias em São Paulo e defendeu que a composição das instâncias nacionais represente melhor as diferentes regiões do país.
“Onde se dão as decisões do partido? Em São Paulo. O Diretório Nacional representa as forças das diversas regiões para que as decisões sejam tomadas adequadamente? A composição dos ambientes de decisão precisa expressar a representação das forças políticas”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de tensão entre grupos do PT no Nordeste e no Sudeste durante a formação do novo governo, Jerônimo disse esperar que não haja conflito, mas reconheceu a influência histórica dos paulistas na legenda.
“A força paulista no partido é muito grande. É o histórico. O ABC Paulista e os metalúrgicos influenciaram bastante. Reconhecemos e agradecemos por isso, mas estamos em um momento adequado para dizer que o Nordeste precisa ser visto e reconhecido no partido”, afirmou.


