POLÍTICA
Lula bate o martelo e deve indicar novamente Messias ao STF
Decisão foi comunicada pelo presidente a aliados


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve indicar novamente, nos próximos meses, o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a derrota história de abril, de acordo com informações obtidas pelo portal A TARDE.
Aliados já foram comunicados por Lula sobre a decisão, que envolve uma série de fatores. Uma das fontes pontuou ao portal A TARDE que o presidente entende que o cenário mudou de forma inesperada em abril, às vésperas da votação.
A mesma fonte revelou também que alguns dos senadores que votaram contra a indicação de Messias no Plenário do Senado mostraram arrependimento da decisão, que teria sido apenas por questões políticas.
Lula também entende que precisa ser grato a Messias, que foi exposto a um fato quase inexistente na história do Supremo, que é a rejeição de um nome indicado pelo presidente. A avaliação do petista é que indicar outra pessoa é "trair" seu aliado, que tem uma longa carreira pública.
Baiano confirma intenção
Um dos nomes que confirmou que Lula deve indicar novamente Messias para o Supremo, em conversa com o portal A TARDE, foi o senador Otto Alencar (PSD), um dos seus principais aliados no Congresso Nacional.
Otto, que defendeu a biografia de Messias, atribuindo a derrota aos bolsonaristas, pontuou que Lula ainda não tem data para fazer a nova indicação ao Senado. O baiano é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por sabatinar os indicados ao posto de ministro do STF.
Otto também reforçou que é direito do presidente indicar os ministros do STF, e afirmou ter votado em perfis escolhidos por Jair Bolsonaro (PL), ex-chefe do Planalto, durante seu mandato.
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"Eu votei no (André) Mendonça, votei também no Kássio (Nunes Marques)", afirmou o senador.
Apesar da sinalização de Lula, uma norma editada por José Sarney, ex-presidente do Senado, em 2010, veta a apreciação de um mesmo quadro para o Supremo mais de uma vez durante a 'sessão legislativa', como é chamado o ano vigente de funcionamento da Casa.
"É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal", diz a norma.
Derrota história
Jorge Messias foi rejeitado pelo Plenário do Senado no dia 29 de abril, quando obteve apenas 34 votos favoráveis. Outros 42 senadores votaram contra siua indicação.
"Sou grato a Deus por ter chegado até aqui. Participei de forma íntegra e franca de todo este processo, me submeti durante cinco meses a um escrutínio que é decorrente do próprio processo constitucional, fui recebido por 78 senadores, fui recebido de forma generosa, eu não tenho nada a falar nem a reparar acerca da conduta de ninguém", desabafou Messias logo após a derrota.


