INTERVENCIONISMO
Lula detona Flávio por ação contra o Brasil: "Traidor da pátria"
Governo Trump designou facções criminosas como grupop terrorista


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou sobre a decisão do governo Donald Trump de classificar facções criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em discurso durante anúncio de mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras em Sergipe, em Laranjeiras (SE), nesta sexta-feira, 29, o mandatário se mostrou irritado com a designação do governo norte-americano e lembrou que entregou um documento a Trump que pedia o trabalho integrado entre os países para o combate ao crime organizado.
Em sua fala, o mandatário ainda acusou o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de “trair a pátria”, já que a medida foi anunciada após o encontro que ele teve com o secretário de Estado, Marco Rubio, na última quarta-feira, 27.
“Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Nós não aceitamos ser tratados como se fosse uma republiqueta. Eu tive três horas com o presidente Trump, três horas com ele. Entreguei quatro documentos para ele. Um deles era o combate ao crime organizado. O seu Marco Rubio não estava lá possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria”, afirmou o presidente.
Lula ainda disse que PCC e CV são "terroristas" que atuam nas comunidades brasileiras. Por isso, na avaliação do presidente, deveriam ser combatidas dentro do país, e não pelos EUA.
“Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira. Para o povo da periferia desse país. Eles são terroristas porque incomodam as famílias. Eles incomodam o bairro, incomodam a cidade. Roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo viver livremente. Então, eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro”, disse.
Retrocesso
O governo brasileiro emitiu, nesta sexta-feira, 29, uma nota oficial em resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
No comunicado, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que ambas as organizações são reconhecidas por disseminar o terror em comunidades e causar severos danos à segurança pública.
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Contudo, o Palácio do Planalto divergiu da abordagem norte-americana ao diferenciar a atuação das facções brasileiras do conceito de terrorismo internacional.
Segundo a nota oficial, os grupos criminosos do país agem motivados estritamente pelo lucro financeiro decorrente de atividades ilícitas, e não por razões ideológicas, políticas ou religiosas — elementos que fundamentam juridicamente a tipificação de terrorismo.
O Ministério das Relações Exteriores apontou, ainda, que a rotulação como terrorismo representaria um “possível retrocesso” no combate ao crime organizado.
O entendimento é que a mudança de status jurídico poderia engessar cooperações internacionais, além de gerar riscos à segurança dos cidadãos e prejuízos econômicos ao país devido a sanções automáticas atreladas à legislação antiterrorismo dos EUA.


