NEGOCIAÇÃO HISTÓRICA
Lula envia acordo Mercosul-União Europeia para análise do Congresso
Documento precisa ser chancelado por parlamentares dos países envolvidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso Nacional na tarde desta segunda-feira, 2, o texto do acordo provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado em Assunção, Paraguai, no dia 17 de janeiro.
Oato de assinatura contou com a participação de representantes dos países membros do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Para entrar em vigor, o documento precisa ser chancelado por parlamentares dos países envolvidos. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) garantiu que a Casa dará prioridade à análise do texto.
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“Pretendemos dar ao acordo a tramitação mais rápida possível na Câmara dos Deputados para que ele possa entrar em vigor o quanto antes e, assim, começar a repartir seus frutos a todos os participantes”, escreveu Motta na rede X (antigo Twitter).
O presidente da Câmara também afirmou que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia abre oportunidades para mais crescimento e mais empregos no Brasil.
Assinatura
O acordo de livre comércio abrange um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões. As negociações se arrastavam desde 1999, há 26 anos.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tem impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diferentes segmentos da indústria nacional.
Confira os principais pontos do acordo
- Eliminação de tarifas alfandegárias:
Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos
- 2. Ganhos imediatos para a indústria:
Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.
Setores beneficiados:
Máquinas e equipamentos;
Automóveis e autopeças;
Produtos químicos;
Aeronaves e equipamentos de transporte.
- 3. Acesso ampliado ao mercado europeu
Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
- 4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
- 5. Salvaguardas agrícolas
UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:
Importações crescerem acima de limites definidos;
Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.
- 6. Compromissos ambientais obrigatórios
Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
Cláusulas ambientais são vinculantes;
Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
- 7. Regras sanitárias continuam rigorosas
UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.
Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.
- 8. Comércio de serviços e investimentos
Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.
Avanços em setores como:
Serviços financeiros;
Telecomunicações;
Transporte;
Serviços empresariais.
- 9. Compras públicas
Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
Regras mais transparentes e previsíveis.
- 10. Proteção à propriedade intelectual
Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
- 11. Pequenas e médias empresas (PMEs)
Capítulo específico para PMEs;
Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
- 12. Impacto para o Brasil
Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
Maior integração a cadeias globais de valor;
Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
- 13. Próximos passos
Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;
Aprovação pelo Parlamento Europeu;
Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.
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