AVALIAÇÃO DA FECOMÉRCIO
Comércio brasileiro pode ganhar fôlego com acordo Mercosul–UE
Economistas da Fecomércio (BA) e CNC avaliam ganhos e as potencializações às exportações de produtos brasileiros

O Acordo Mercosul-União Europeia, que após 25 anos sem tratativas ou avanços futuros entre os países, começou a ganhar movimentos decisivos para a sua aprovação. Na quarta-feira, 28, o governo afirmou que pretende enviar o texto do acordo ao Congresso Nacional na primeira semana de fevereiro.
A intenção do governo é que o acordo seja aprovado pelo Congresso brasileiro ainda no primeiro semestre para acelerar o processo e pressionar o bloco europeu a fazer o mesmo. Bem aguardada pelo setor da indústria e comércio, o acordo prevê benefícios que ultrapassam a redução de tarifas, com transformação do comércio bilateral, criação de empregos e estímulo a investimentos.
É o que também avalia Guilherme Dietze, consultor econômico da Fecomércio BA. De acordo com o especialista, o estreitamento dessa relação comercial abrirão portas para o Brasil, não somente devido ao agravamento da relação com os Estados Unidos, terceiro maior parceiro comercial do país, mas também como potencializador do setor do comércio no bloco europeu.
“Se a gente consegue estreitar a relação comercial, a gente joga as nossas exportações para US$ 60 bilhões, importações de US$ 54 bilhões, gera um superávit comercial interessante para a gente, ajuda a reduzir o dólar, gera um impacto na economia prevista de 0,3% do PIB, reduz a inflação”, disse o economista, durante a apresentação das Perspectivas Econômicas e Reforma Tributária 2026, na Casa do Comércio, nesta quinta-feira, 29.

“Embora haja algumas preocupações para alguns setores do comércio que vão concorrer, por exemplo, com medicamentos vindo da Europa, setor automotivo, que é também é forte, ou com a economia como todo, é o caso desses setores obterem algum tipo de proteção, porque as nossas exportações vão ser desgravadas completamente no intervalo de 10 anos e as nossas importações e da União Europeia vão ser desagregadas no intervalo de de 10 anos”, continuou ele.
Perspectivas econômicas para o comércio
Na quarta-feira, 28, o Conselho de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros, a taxa Selic, em 15%. A manutenção, apesar de esperada, não agrada ao mercado que deve começar uma redução da taxa nas próximas reuniões.
A taxa que influencia diretamente na oferta de crédito e investimentos para os brasileiros, constata também com o alto endividamento entre as famílias, que em dezembro de 2025 atingiu 76,6% dos núcleos familiares.
Esse cenário, segundo o setor do comércio, são desafios gigantes para os comerciantes e empresários, que precisam driblar as dificuldades já existentes com os negócios. Apesar das entraves econômicas, o setor econômico segue sendo otimista com resultados para os próximos anos.
“Para o setor, especificamente, a gente espera um crescimento de 4% nas vendas, já descontada a inflação. É um resultado melhor do que o do ano passado. A gente espera esse movimento devido ao mercado de trabalho ainda favorável. Apesar dos juros altos,a expectativa de corte de juros menores tende a aquecer um pouco mais o crédito para consumo e manter a inflação sob controle”, explicou o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fábio Bentes.
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Os altos juros, que também é preocupação para o setor do comércio, segundo Bentes, são praticados principalmente pelo déficit do governo nas contas públicas.
"Em nosso país, a razão disso é o fato de um retrato do quadro fiscal das contas públicas no Brasil nos últimos anos. É sempre deficitário. Então, você tem que financiar o estado deficitário e a forma que você tem de financiar o estado deficitário é colocar o juro lá em cima. E isso acaba cobrando um preço bastante elevado do setor produtivo, porque o comércio depende de crédito para para vender e as famílias dependem de crédito para consumir”, explica ele.

Dados da CNC com base no Banco Central aponta que em 2026, a taxa Selic deverá atingir, até o final do ano, a margem de 12,25% e, em 2027, cerca de 10,50%. O PIB, principal índice de crescimento econômico do país, tem expectativas de altas tímidas. Em 2026, deve atingie 1,80% enquanto no ano seguinte, 1,83%.
Outro ponto que vem preocupando o setor é o câmbio, que nos últimos dias vem reagindo mal aos capítulos da novela geopolítica entre os Estados Unidos e países como Venezuela e União Europeia.
“As barbeiragens que o governo americano faz, a gente não controla. O que a gente controla é a nossa reação às medidas que ele toma. As reações do Brasil não foram perfeitas, mas elas minimizam os impactos negativos para a nossa economia, como foi, por exemplo, o tarifaço. O presidente dos Estados Unidos e o presidente brasileiro têm conseguido manter uma boa relação. A perspectiva para esse ano é que o dólar vá ajudar, por exemplo, no controle da inflação. Sempre que o dólar cai, nossa inflação fica menos pressionada. Se a inflação ficar menos pressionada, o Banco Central tem que carregar menos a mão na taxa de juros. Isso é bom”, finaliza ele.
Apoio aos empresários e comerciantes
Com a Reforma Tributária já sendo aplicada nos principais setores econômicos brasileiros, empresários e comerciantes tem se preocupado ainda mais com os desafios para o setor do comércio.
Pensando nisso, a Fecomércio reuniu empresários, especialistas e representantes do setor público para dscutir o cenário econômico nacional e estadual, as projeções para o comércio, serviço e turismo em 2026.
"A reforma tributária era muito esperada entre os empresários, principalmente do setor de serviço. Mas, infelizmente, não como está sendo projetado e como tá sendo feita, é uma preocupação. Acredito que todos os empresários, todos os setores da economia vão começar a sentir os impactos da reforma tributária agora, uns menos, outros mais, mas que vai ninguém vai mais escapar de ter que emitir suas notas fiscais, pagar seus impostos", explica Kelsor Fernandes, presidente do sistema Fecomércio BA.

"Ainda tem muita coisa para o governo explicar, para as orientações que vão vir da receita, dos setores encarregados de fazer essas cobranças", finaliza
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