TARIFAÇO
Lula rebate Flávio Bolsonaro após fala nos EUA: "Objetivo eleitoreiro"
Secom afirma que o senador foi o único brasileiro a não rejeitar o "tarifaço" dos EUA


O governo Lula (PT) subiu o tom contra o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou de uma audiência, nos Estados Unidos, que debateu a possibilidade da aplicação de um tarifaço de 37,5% ao Brasil.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social, o governo afirmou que a audiência contou com 78 inscritos, dos quais 63 se manifestaram contra a imposição das tarifas norte-americanas.
Flávio teve "claro objetivo eleitoreiro"
O Planalto destacou que, em um universo de 34 brasileiros participantes, Flávio Bolsonaro foi o único a não se posicionar contra as sanções ao país, sugerindo apenas o adiamento das medidas, o que o governo classificou como uma manobra de "claro objetivo eleitoreiro".
"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", acrescenta o texto.
Menção ao Caso Master
A reação do Planalto também resgatou escândalos financeiros. A nota acusa o senador de tentar omitir que o chamado "caso Master", bem como as fraudes contra aposentados do INSS, tiveram origem durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O texto afirma ainda que os desvios do INSS, na ordem de R$ 3,2 bilhões, foram revelados pela atual gestão da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.
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"[O parlamentar] esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai", diz o governo.
"[Sobre o escândalo do INSS, o senador] omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro" e que "os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro".
Postura de Flávio sobre o PIX
Outro ponto de críticas à postura de Flávio, por parte do governo, foi relacionado ao Pix. O Planalto argumentou que a atual defesa do sistema por parte do senador contradiz discursos anteriores da sua família e que a proposta apresentada por ele em Washington subordina o mecanismo de pagamentos "aos interesses norte-americanos".
"Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", finaliza a nota.
Força-tarefa do governo para barrar "tarifaço"
O governo ressaltou que, durante a audiência, manteve uma força-tarefa, nos bastidores, para tentar barrar o "tarifaço". Segundo o Planalto, as negociações diretas com Washington ocorrem de forma ininterrupta desde julho de 2025.
Paralelamente ao pronunciamento do senador, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, do Itamaraty, da Justiça e da Casa Civil estavam reunidos com técnicos dos EUA para tentar reverter as taxações comerciais.


