ONU
Lula sobre eleições: "Brasileiros vão decidir entre democracia e negacionismo"
Em discurso na ONU, presidente defende disputa "transparente e competitiva"



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom nesta terça-feira, 22, ao defender a relevência das eleições brasileiras, que serão decididas no próximo dia 4 de outubro.
Em discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula afirmou que o eleitorado definirá o futuro do país, por meio de duas escolhas: "democracia ou negacionismo".
Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão
O presidente, que também é candidato à reeleição, assegurou que a disputa no Brasil vai ser “transparente e competitiva”, garantida por um sistema eleitoral “moderno e robusto”.
Sem mencionar nomes diretamente, criticou quadros políticos por supostamente se alinharem a interesses internacionais contrários à nação.
“Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha”, pontuou o mandatário.
Lula cobra respeito às urnas
Em tom firme, cobrou respeito ao resultado das urnas: “Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil vai continuar sendo um país soberano”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio a críticas recorrentes do petista a membros da família Bolsonaro, cujo filho Flávio concorre à Presidência pelo PL.
O presidente acusa o grupo de articular ações contra o Brasil junto a autoridades dos Estados Unidos — país onde o ex-deputado Eduardo Bolsonaro mantém trânsito e proximidade política.
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Crise no multilateralismo
Paralelamente às questões domésticas, o pronunciamento abordou a instabilidade geopolítica global e fez duras ponderações ao papel da ONU na mediação de conflitos contemporâneos. Lula apontou uma grave crise na diplomacia multilateral e cobrou reformas institucionais.
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. A credibilidade nunca esteve tão baixa. A capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o papel”, declarou.
O presidente argumentou que o cenário internacional exige posicionamentos claros dos líderes mundiais perante o avanço de extremismos e a erosão dos acordos coletivos.
“Somos chamados a optar entre: multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um estadista”, afirmou.
Ao concluir a análise geopolítica, o petista condenou o avanço do uso da força e as sucessivas concessões à "lei do mais forte", afirmando que os limites aceitáveis já foram ultrapassados pelo cenário de guerras ativas,
“A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política", finalizou.


