POLÍTICA
Mãe de Ana Clara acompanha debate entre Lula e Flávio na TV Globo
Flávio passou a atuar oficialmente na defesa do policial três anos após a morte de Ana Clara Gomes



Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, está nos estúdios da TV Globo nesta sexta-feira, 23, para acompanhar o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A morte da filha, aos 5 anos, voltou ao centro das discussões políticas após o confronto entre os dois no último domingo, 18, na TV Band.
Na ocasião, Lula questionou a atuação de Flávio na defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a criança. O presidente afirmou que o senador assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir que o policial fosse levado a júri popular.
“Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, questionou o presidente.
Morte de Ana Clara ocorreu em 2021
Ana Clara foi atingida por um disparo em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava na rua com o irmão, que tinha 2 anos, nas proximidades de casa. O caso aconteceu na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o tiro que matou a menina partiu de um fuzil utilizado pelo cabo Bruno Dias Delaroli. A acusação aponta que o policial disparou na direção de uma área residencial, assumindo o risco de atingir moradores.
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A defesa do agente sustentou que houve um confronto armado. Essa versão, porém, foi contestada pela investigação. A perícia encontrou vestígios de munição de calibre 7,62, compatível com a arma utilizada pelo policial, mas não identificou estojos de pistola que confirmassem a hipótese de troca de tiros.
Flávio Bolsonaro entrou na defesa em 2024
O cabo foi preso em flagrante após a morte de Ana Clara, mas passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021, mediante medidas cautelares.
Três anos depois da morte da menina, em 2024, Flávio Bolsonaro passou a integrar oficialmente a defesa do policial. Como advogado, ele assinou um recurso apresentado ao STJ para tentar evitar que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida.
O tribunal rejeitou o pedido e manteve a possibilidade de julgamento popular. As movimentações da defesa, no entanto, contribuíram para prolongar o andamento do processo.
Mais de cinco anos após a morte de Ana Clara, o julgamento ainda não tem data marcada. O policial continua respondendo à ação criminal em liberdade.


