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mulheres presidindo partidos na Bahia

EQUIDADE DISTANTE

Número de mulheres presidindo partidos na Bahia escancara desigualdade na política

Cenário baiano retrata dificuldade da ascensão feminina nos espaços de poder

mulheres presidindo partidos na Bahia - Foto Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - Reprodução - Divulgação

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Anderson Ramos

Por Anderson Ramos

08/03/2026 - 12:00 h

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A disparidade entre homens e mulheres na política brasileira tem um bom exemplo quando o recorte se dá sobre o comando dos partidos políticos. Das 30 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2026, apenas três são presididas por mulheres: o PCdoB, com Nádia Campeão; o Podemos, com Renata Abreu e o PSOL, com Paula Coradi.

Coincidência ou não, o número também é o mesmo na Bahia, onde Lídice da Mata (PSB), Isabela Sousa (Cidadania) e Eslane Paixão (Unidade Popular) lideram os diretórios estaduais das suas siglas.

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Quando os números absolutos são convertidos para proporcionais, a distância entre a representatividade masculina e feminina fica ainda mais evidente. A quantidade significa somente 10% de todos os partidos, porcentagem inferior aos 30% estabelecidos na legislação eleitoral como mínimo para as candidaturas de mulheres por partido.

O Portal A TARDE falou com as dirigentes baianas, que fizeram uma análise sobre o cenário no estado e destacaram as dificuldades enfrentadas por mulheres em postos de poder na política.

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MARCAS HISTÓRICAS

A presidente do PSB baiano e deputada federal, Lídice da Mata, reconhece que houve avanços nos últimos anos, mas avaliou que a política brasileira ainda carrega marcas históricas de desigualdade entre homens e mulheres.

“Durante muito tempo, os espaços de decisão dentro dos partidos foram ocupados majoritariamente por homens, o que criou uma cultura política pouco aberta à liderança feminina. Embora tenhamos avançado, ainda existe uma resistência estrutural que dificulta que mulheres cheguem aos postos de direção partidária. Precisamos fortalecer mecanismos de participação, incentivar a formação política de mulheres e garantir que os partidos assumam, de fato, o compromisso com a igualdade”, disse a socialista.

Atualmente, Lídice da Mata assume cargo de deputada federal na Câmara dos Deputados
Atualmente, Lídice da Mata assume cargo de deputada federal na Câmara dos Deputados | Foto: Bruno Spada | Agência Câmara

Primeira e única mulher eleita prefeita na história de Salvador, Lídice concorda com a afirmação de que a baixa presença de mulheres nas presidências dos partidos atrapalha na formação da estratégia para eleger candidaturas femininas.

“A presença feminina nas direções partidárias ajuda a construir estratégias mais inclusivas e a garantir que mais mulheres sejam candidatas competitivas. A democracia se fortalece quando as mulheres participam plenamente de todas as etapas da vida política”, argumentou.

Apesar do cenário desfavorável, Lídice acredita que medidas podem ser tomadas para que a igualdade entre os gêneros se torne realidade. “Precisamos avançar para um modelo de igualdade real na política. Isso significa garantir proporção igual de candidaturas entre homens e mulheres, mas também discutir mecanismos que assegurem equilíbrio na ocupação das cadeiras nas casas legislativas. Se as mulheres são mais da metade da população brasileira, é justo que tenham uma representação equivalente nos espaços de poder. Promover essa igualdade não é apenas uma questão de justiça, mas um passo essencial para fortalecer a democracia e tornar as decisões públicas mais representativas da sociedade brasileira”, afirmou.

LUTA POR ESPAÇO

A presidente do diretório estadual da UP e candidata à Prefeitura de Salvador em 2024, Eslane Paixão, faz um diagnóstico mais profundo sobre a ausência de representação feminina na decisão dos rumos partidários e defende medidas mais enérgicas para mudar o cenário.

“Nós somos a maioria de chefes de família, mas uma maioria que não recebe salário igual e que mais sofre com desemprego ou subemprego. Nós não estamos nos espaços de poder, não decidimos sobre as nossas vidas. Ser mulher e presidenta nesse cenário para mim é extremamente importante por dizer que a gente precisa se organizar cada vez mais e lutar pelo que é nosso, lutar pela nossa libertação, lutar pela destruição desse sistema, que é o que nos submete a esse papel de escravas do capitalismo”, afirmou.

“Lutamos para ter as mulheres nos espaços de poder, mas lutamos sobretudo pela destruição desse sistema, que é quem de fato humilha as mulheres. A gente já teve mulheres dirigindo o país como presidenta, temos várias mulheres eleitas Brasil afora, mas o que a gente percebe é que a estrutura do sistema consegue ainda nos manter escravas e aumentar, nesse mesmo caminho, os índices de violência contra as mulheres que permanecem altos. Então, o buraco é muito mais embaixo, como a gente costuma dizer”, analisou.

Eslane Paixão é presidente do diretório estadual da UP na Bahia e candidata à Prefeitura de Salvador em 2024.
Eslane Paixão é presidente do diretório estadual da UP na Bahia e candidata à Prefeitura de Salvador em 2024. | Foto: Reprodução

FORTALECIMENTO

“Um avanço e um alerta”, foi assim que a presidente do Cidadania na Bahia e vereadora de Salvador, Isabela Sousa, classificou o fato de ser uma das poucas mulheres na presidência de um partido no estado.

“Avanço porque cada espaço que uma mulher ocupa na política abre caminho para outras. E alerta porque ainda somos poucas nesses lugares de decisão. A política brasileira ainda carrega barreiras estruturais que dificultam a chegada e a permanência das mulheres nesses espaços”, argumentou Isabela.

Para a vereadora, a baixa representatividade de mulheres nas direções partidárias causa sérios impactos nas mesas de decisão e na definição de estratégias eleitorais, e consequentemente, influencia nas eleições de candidaturas femininas.

“Ampliar a presença feminina dentro dos partidos é fundamental para que mais mulheres consigam disputar e conquistar mandatos”, pontuou.

Isabela Sousa foi eleita Secretária Nacional de Mulheres do Cidadania.
Isabela Sousa foi eleita Secretária Nacional de Mulheres do Cidadania. | Foto: Divulgação

Com o objetivo de debater temas fundamentais para o público feminino, o Grupo A TARDE promove o evento "Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança". O encontro será realizado no dia 17 de março, das 15h às 18h, no Auditório do SEBRAE (Rua Arthur de Azevêdo Machado, 1225, Edf. Civil Towers, Costa Azul, Salvador - BA). A iniciativa integra as celebrações em torno do Dia da Mulher, reunindo discussões sobre protagonismo e proteção no cenário atual.

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Tags:

direitos das mulheres igualdade de gênero tribunal superior eleitoral

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