POLÍTICA
PCC e CV são incluídos em proposta de sanções de Trump
O acordo foi assinado pelo Escudo das Américas



Países que integram o chamado Escudo das Américas assinaram nesta terça-feira, 22, um acordo para tratar organizações narcotraficantes transnacionais como ameaças compartilhadas e adotar medidas de sanção contra os grupos.
A iniciativa foi articulada pelo governo de Donald Trump, durante reuniões realizadas à margem da Assembleia Geral da ONU.
Entre os 24 grupos citados na proposta estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais organizações criminosas brasileiras.
A medida prevê uma atuação conjunta contra organizações que os Estados Unidos classificam como ameaças à segurança regional.
Acordo prevê ações contra grupos
Segundo o documento divulgado pelo Departamento de Estado americano, os integrantes da aliança consideram as organizações narcoterroristas transnacionais uma ameaça à paz e à segurança do continente.
O acordo prevê o uso de um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) para viabilizar medidas contra os grupos citados.
Os Estados Unidos já adotaram medidas contra organizações criminosas transnacionais e ampliaram, em 2026, o uso de sanções relacionadas a essas organizações.
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Trump defende combate aos cartéis
Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump defendeu uma atuação mais dura contra cartéis e grupos ligados ao tráfico de drogas.
O presidente americano afirmou que os Estados Unidos utilizarão seu poder militar para combater essas organizações e comparou os cartéis ao Estado Islâmico.
A estratégia faz parte de uma política externa de maior atuação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, associada pelo governo Trump à chamada “Doutrina Donroe”, uma referência à Doutrina Monroe e ao próprio sobrenome do presidente.
Brasil não integra a aliança
O Brasil não faz parte do Escudo das Américas. A coalizão reúne países que aderiram à iniciativa de cooperação liderada pelos Estados Unidos para combater o narcotráfico e o crime organizado.
A iniciativa ocorre em meio ao aumento das críticas do governo Trump ao Brasil sobre o combate ao PCC e ao Comando Vermelho. Em documento divulgado na semana passada, Washington acusou o governo brasileiro de não enfrentar suficientemente as duas facções.
O governo brasileiro contestou a avaliação e afirmou que o país não foi incluído nas classificações formais dos principais produtores ou rotas de drogas nem na lista de governos considerados como tendo falhado de forma demonstrável no combate ao narcotráfico.
No discurso desta terça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo, a soberania dos países e a não interferência em assuntos internos. Em sua fala, afirmou: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.


