Busca interna do iBahia
HOME > POLÍTICA

PRESIDÊNCIA DO SENADO

PL lança Rogério Marinho contra reeleição de Alcolumbre no Senado

Oposição rejeita acordo por indulto a Bolsonaro e tenta disputar voto do Centrão

Leo Almeida
Por
PL deve lançar candidatura na próxima quarta-feira, 4
PL deve lançar candidatura na próxima quarta-feira, 4 - Foto: Geraldo Magela | Agência Senado
Eleições 2026

O PL decidiu lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência do Senado para enfrentar a tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). A bancada do partido e parlamentares da oposição de outras siglas rejeitam um acordo para apoiar o atual presidente da Casa. O lançamento da candidatura está previsto para a próxima quarta-feira, 4.

A partir de fevereiro do próximo ano, o PL terá 29 senadores, mais de um terço das 81 cadeiras do Senado. Parlamentares da legenda devem se reunir na próxima semana para formalizar a escolha de Marinho, que já recebeu o aval do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de seu irmão, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC).

Tudo sobre Política em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Ao "O Globo", O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que a oposição deve aproveitar o tamanho da bancada eleita para ampliar sua influência na Casa e tentar alterar a relação entre o Congresso e o Judiciário.

“Hora de unidade. Se amarrar direitinho, seremos fortes. Mais uma batalha. Incessante. Há chance de recuperar o mínimo equilíbrio entre os Poderes. Precisamos da maioria”, declarou.

Leia Também:

POLÍTICA

PP-União Brasil deve abandonar Alcolumbre na disputa pelo Congresso
PP-União Brasil deve abandonar Alcolumbre na disputa pelo Congresso imagem

POLÍTICA

Fim da escala 6x1 ganha data de votação após decisão de Alcolumbre
Fim da escala 6x1 ganha data de votação após decisão de Alcolumbre imagem

POLÍTICA

Alcolumbre admite impeachment de Alexandre de Moraes e Mendonça
Alcolumbre admite impeachment de Alexandre de Moraes e Mendonça imagem

Indulto a Bolsonaro

Como forma de reduzir a resistência da oposição, Alcolumbre tentou construir um entendimento que representasse um aceno ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A articulação envolveria uma negociação entre Congresso, governo e Judiciário para viabilizar uma medida capaz de atenuar a situação do ex-presidente, condenado por liderar uma trama golpista.

Não houve uma proposta fechada, mas foram discutidas alternativas como um indulto presidencial, a aprovação de uma anistia ampla pelo Congresso ou a retomada da proposta de redução de penas, atualmente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e sem previsão de análise. Alcolumbre conversou com senadores sobre a possibilidade, mas não chegou a apresentar a ideia a Lula.

A tentativa de aproximação, porém, encontrou resistência entre parlamentares da oposição. Eles questionam tanto a viabilidade das medidas quanto a capacidade do presidente do Senado de garantir o cumprimento de um eventual acordo.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Bolsonaro, afirmou que Alcolumbre não teria condições de assegurar uma solução para a situação judicial do ex-presidente.

“Alcolumbre não tem condições de oferecer isso”, disse.

Quebra de promessa?

A desconfiança também é alimentada pela eleição anterior para o comando da Casa. Em 2025, o PL apoiou Alcolumbre na expectativa de obter avanços na pauta da anistia, mas não conseguiu aprovar uma medida ampla que beneficiasse Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas.

Entre os parlamentares eleitos, a rejeição a um novo acordo é ainda mais enfática. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que assumirá uma cadeira no Senado em fevereiro, afirmou que apoiar novamente Alcolumbre seria repetir uma negociação sem garantias de cumprimento.

“Tem que ser muito otário para cair nessa conversa fiada de Alcolumbre. Senador que votar nele não tem compromisso com o resgate da independência e harmonia entre os Poderes”, declarou.

Foco em candidatura única

Ex-ministra do governo Jair Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também tenta viabilizar uma candidatura própria. Apesar da disputa interna, integrantes da oposição defendem que os diferentes grupos cheguem à reta final da eleição com apenas um nome para enfrentar Alcolumbre.

Impeachment de Moraes entra na disputa

Uma das principais bandeiras da oposição no Senado é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O magistrado é considerado adversário político pelo bolsonarismo por relatar processos que atingiram Jair Bolsonaro e aliados.

O desgaste político de Moraes se ampliou após a revelação de conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Apesar da pressão, integrantes da oposição avaliam que Alcolumbre não atuará pelo afastamento do ministro, de quem é aliado.

Nesse cenário, a tentativa de aproximação com o bolsonarismo também é interpretada como uma estratégia para reduzir a pressão sobre Moraes e evitar que a eleição para a Presidência do Senado se transforme em uma disputa centrada no confronto com o Supremo.

Oposição disputa votos do Centrão

Com os 29 senadores do PL e os três eleitos pelo Novo, que também rejeitam apoiar Alcolumbre, a candidatura de Marinho parte de um potencial inicial de 32 votos. O número ainda está abaixo do grupo que o atual presidente do Senado pretende reunir, mas a oposição aposta em divisões internas nos partidos do Centrão para reduzir a vantagem do adversário.

Alcolumbre conseguiu o apoio da direção nacional da federação União-PP, mas os adversários contam com dissidências nas duas legendas. Além da federação, o atual presidente aposta em uma aliança com o PT e outras siglas da base de Lula, como PSB, PDT e Rede. Juntos, esses partidos formariam um grupo de 39 parlamentares.

A bancada da federação União-PP, que terá 11 senadores, está dividida. Mesmo com a orientação das direções partidárias, há parlamentares que resistem a apoiar a reeleição de Alcolumbre, entre eles Tereza Cristina e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP).

Para evitar que as divergências comprometam sua candidatura, Alcolumbre passou a procurar individualmente os senadores em busca de apoio. Um dos procurados foi o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), eleito para o Senado. Ele conversou com o atual presidente da Casa, mas ainda não anunciou quem pretende apoiar.

Também estão em disputa os votos das bancadas do Republicanos, Podemos e PSDB, que somam 16 parlamentares e ainda não sinalizaram apoio a nenhum dos grupos. A oposição pretende conquistar parte desse contingente para ampliar a base de Marinho.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Davi Alcolumbre Senado

Relacionadas

Mais lidas