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PL resiste a acordo com Alcolumbre e prepara candidatura de Marinho

Mesmo com articulações de Davi Alcolumbre para garantir a reeleição, PL deve oficializar nome

Luan Julião
Por
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) - Foto: Divulgação
Eleições 2026

O PL deve oficializar na próxima quarta-feira, 4, o nome do senador Rogério Marinho (RN) para disputar a presidência do Senado Federal em fevereiro de 2027. A decisão ocorre mesmo diante das articulações de Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente da Casa, para construir uma base de apoio que permita sua reeleição, inclusive entre partidos da oposição.

Com a chegada dos parlamentares eleitos em outubro, o PL passará a ocupar a maior bancada do Senado, com 28 integrantes. A força numérica da legenda, porém, não significa consenso em torno de uma candidatura própria. Nos bastidores, uma liderança do partido avalia que entrar na disputa sem antes negociar com Alcolumbre pode representar um risco político, especialmente diante da possibilidade de derrota e perda de espaço no comando de comissões importantes.

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O parlamentar citou como exemplo o episódio de 2023, quando Marinho concorreu à presidência do Senado pelo PL, mas acabou derrotado por Rodrigo Pacheco. Para ele, a legenda não deveria assumir novamente o desgaste de uma candidatura sem garantias de vitória. Também se posicionou contra uma "radicalização" na eleição da Mesa Diretora, defendendo uma tentativa de acordo com o atual presidente.

Apesar dessa avaliação, a maioria do PL não demonstrou disposição para fechar um entendimento com Alcolumbre e pretende colocar Marinho em campanha a partir da próxima semana.

A eleição exige maioria absoluta dos votos, o equivalente a pelo menos 41 dos 80 senadores. Alcolumbre tem buscado apoio de diferentes siglas, incluindo PL, PP e Republicanos, para permanecer no comando da Casa.

Anistia entra nas articulações pela presidência

Uma das estratégias discutidas por Alcolumbre para ampliar o apoio da oposição envolve a possibilidade de colocar em votação um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As conversas sobre o tema ocorreram na última semana e também podem ajudar o presidente do Senado a reduzir a pressão por processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o último levantamento divulgado pelo Supremo, em abril, 190 pessoas condenadas pela tentativa de golpe ainda estavam presas. Desse total, 70 cumpriam prisão domiciliar. No mesmo mês, o Congresso aprovou uma proposta que permite a redução das penas, cuja aplicação será analisada individualmente pelo STF.

Uma liderança do PL no Senado afirmou, reservadamente, que a tese da anistia poderia beneficiar tanto os condenados quanto aqueles responsáveis pelo julgamento, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos. Nesse cenário, uma investigação no Senado sobre a conduta do magistrado durante a tramitação dos casos não seria aberta.

Embora o senador Otto Alencar (PSD-BA) esteja entre os governistas favoráveis à proposta, partidos como o MDB já se posicionaram contra a possibilidade.

Tereza Cristina mantém candidatura e disputa espaço na oposição

A movimentação do PL não encerrou as pretensões de Tereza Cristina (PP-MS). A senadora também deseja disputar a presidência do Senado e mantém publicamente sua intenção de concorrer, mesmo com a provável oficialização de Marinho.

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Atualmente, a parlamentar conta com o apoio de Michelle Bolsonaro (PL), senadora eleita pelo Distrito Federal. Alcolumbre ainda espera conversar com Michelle nas próximas semanas para tentar ampliar sua articulação entre os oposicionistas.

Carta de Flávio Bolsonaro gera questionamentos sobre Marinho

Outro fator que entrou nas avaliações de integrantes da oposição foi a carta escrita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual ele se declarou inicialmente “presidente eleito” e, posteriormente, alterou a posição para líder do Brasil.

Entre senadores, há o entendimento de que o episódio enfraqueceu Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio. A avaliação de parte dos parlamentares é que, caso eleito, o senador potiguar poderia assumir o comando da Casa sem autonomia política, dependendo de orientações dos Estados Unidos para conduzir decisões.

Na quarta-feira, 28, Marinho confirmou que deverá representar o PL na disputa. No mesmo dia, ao ser questionado sobre a carta de Flávio, Alcolumbre reforçou a disposição de buscar uma aproximação com a oposição.

Um interlocutor de Alcolumbre afirmou que o atual presidente do Senado já teria pelo menos 41 votos, número necessário para garantir a reeleição. Na avaliação dele, a saída de Flávio Bolsonaro do país também tornou Marinho o nome ideal para enfrentar Alcolumbre na eleição de fevereiro.

O interlocutor acrescentou que o amapaense já conta com apoio de integrantes do próprio PL, mas ainda não conversou com a ala considerada mais "radical" do bolsonarismo. Entre os nomes desse grupo estão os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC).

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Tags

Eleições no Senado Presidência do Senado Rogério Marinho Tereza Cristina

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