VITÓRIA DA CONQUISTA
Rachadinha: Câmara tem data para decidir futuro de vereador Dinho dos Campinhos
Denúncia de esquema foi feita por ex-assessor de Dinho dos Campinhos


O vereador de Vitória da Conquista, Dinho dos Campinhos (Republicanos), deve ter o seu destino político selado até antes do recesso legislativo deste primeiro semestre.
O parlamentar do município localizado na região sudoeste da Bahia teve seu nome envolvido em um esquema de rachadinha. A denúncia partiu do ex-assessor dele, Dely Nascimento Santos, que ingressou com uma representação criminal no Ministério Público da Bahia (MP-BA), no mês de abril.
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"Assim que nós recebemos a denúncia, a acusação, nós encaminhamos para a Corregedoria da Casa, que já fez um encaminhamento para a Comissão de Ética, a Comissão de Ética já acionou o vereador, está no prazo agora do período de cinco sessões para ele emitir a defesa dele. Após a defesa apresentada pelo vereador, a Comissão de Ética faz o parecer final e encaminha para o plenário. Mas estamos aguardando, devido ao processo legal", afirmou ao portal A TARDE o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro (PL).
"O que a gente pode tratar é com essa transparência, mostrando que a Casa não ficou inerte, tomou a iniciativa, antes mesmo de qualquer apontamento, recomendação do Ministério Público, a gente tomou a iniciativa própria de dar andamento a isso e tomar as medidas cabíveis", completou o edil.
Punições
Segundo o parlamentar, entre as punições possíveis a Dinho dos Campinhos está desde a suspensão do mandato entre 60 e 90 dias até a cassação do mandato de vereador — neste caso, quem assumiria seria o suplente Sidney Oliveira (Republicanos).
No entanto, qualquer decisão sobre o futuro político de Dinho dos Campinhos será tomada após a conclusão do relatório por parte do Conselho de Ética da Câmara Municipal e a votação do documento no plenário da Câmara conquistense.

"Eu acredito que sim, que [a votação] vai para o plenário antes do recesso. Até para a gente poder trazer logo uma resolução para o caso, para não ficar empurrando. Mas respeitando, claro, o regimento interno da casa. Mas acredito que alguma sanção vai acontecer: ou pode ser cassação, ou pode ser a suspensão do mandato", afirmou Cordeiro.
No entanto, apuração do portal A TARDE aponta que os vereadores estariam se articulando para aplicar a Dinho dos Campinhos pena a suspensão do mandato. A questão seria apenas a duração: 60 ou 90 dias.
Denúncia de assessor
Segundo o documento obtido pelo portal A TARDE, Dely foi admitido no gabinete do vereador no dia 1º de fevereiro de 2023. Conforme a denúncia, Dinho passou a exigir sistematicamente, a cada pagamento mensal de salário, a devolução de expressiva parcela dos vencimentos recebidos pelo assessor, mediante transferências via Pix, configurando o crime de "rachadinha".
Em vários meses, o assessor ficava com saldos muito baixos. Por exemplo, em março de 2024, após receber R$ 2.564,13, ele teria transferido R$ 2.564,00, restando apenas R$ 0,13 em sua conta.
Ainda segundo o documento encaminhado à Promotoria de Justiça da Comarca de Vitória da Conquista, a prática foi "sistemática, reiterada e documentalmente comprovada por meio de extrato bancário da conta do representante e de capturas de tela de conversas via WhatsApp trocadas entre o representante e o representado".
Áudios reforçam conexão
Dinho dos Campinhos está no meio de uma polêmica envolvendo uma suposta participação dele em uma "rachadinha" — esquema ilegal de corrupção onde políticos ou assessores se apropriam de parte do salário pago aos funcionários lotados em seus gabinetes, ou exigem o pagamento de dívidas pessoais por meio deles.
Na edição do dia 13 de abril, a coluna O Carrasco, do grupo A TARDE, revelou que um ex-assessor do edil teria batido nas portas do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal (PF) com áudios sobre a manobra que estaria sendo executada no gabinete do republicano.
O portal A TARDE ainda obteve acesso a um áudio que traz uma conversa entre Dinho dos Campinhos e o suposto assessor, chamado pelo vereador de Neto. No documento, além de cobrar a devolução de valores, o edil faz ameaças ao ex-auxiliar.
"Você tinha uma assessoria de R$ 2.500 [...] Fora o INSS que eu pagava para você, entendeu [...] Tudo descontado. Você receberia R$ 700 e o outro era você passar para mim, eu passava para outras pessoas, que eu tenho prova de que faço isso. O assessor não tem direito a nada; todo o dinheiro que você recebeu, incluindo férias, já ficou com você. Você pegou férias que você não me deu. Você já ficou com tudo. Você não tem direito a nada", afirma o edil.


