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Resistência do PT a entrada do PL em blocão ameaça planos de Nikolas na Câmara

Fora da aliança que pode reunir mais de 360 deputados, legenda corre o risco de perder prioridade

Luan Julião
Por
Davi Alcolumbre, Lula e Hugo Motta
Davi Alcolumbre, Lula e Hugo Motta - Foto: Foto: Ricardo Stuckert
Eleições 2026

O tamanho da bancada do PL, a maior individualmente eleita para a Câmara dos Deputados em 2026, pode não ser suficiente para garantir ao partido protagonismo na divisão das comissões permanentes da Casa. Com 121 deputados, a legenda corre o risco de perder espaço caso não participe do blocão negociado pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) para viabilizar sua reeleição ao comando da Câmara em 2027.

A disputa envolve especialmente a presidência dos colegiados, cujas escolhas levam em conta a proporcionalidade das bancadas partidárias e dos blocos parlamentares. Quando diferentes legendas se unem, seus integrantes são contabilizados conjuntamente, o que amplia a força da aliança nas negociações e sua prioridade na escolha das comissões.

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O impasse ganhou um novo componente com a posição da federação formada por PT, PCdoB e PV, que reúne 88 deputados e representa a segunda maior bancada. Em conversa com Motta, o grupo ameaçou abandonar a articulação caso PL e Novo sejam incorporados ao blocão. Diante da resistência, o presidente da Câmara afirmou que as legendas serão consultadas antes de qualquer decisão sobre a entrada de novos integrantes.

Com isso, Motta precisa conciliar os interesses dos partidos que já participam da aliança com as pretensões das siglas que tentam conquistar espaço na composição política da próxima legislatura.

Aliança pode ultrapassar 360 deputados

O blocão em negociação reúne partidos de diferentes espectros políticos e tem potencial para alcançar mais de 360 parlamentares. Entre as legendas envolvidas estão PT, Republicanos, MDB, PSD, União Brasil, PP e Podemos, além de outras siglas e federações.

A articulação também representa uma tentativa de conter o avanço do PL, partido de Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que fugiu para os Estados Unidos (EUA).

Sem integrar o grupo, o PL poderá ficar em posição desfavorável na distribuição dos espaços de comando. Cálculos apresentados por integrantes da articulação indicam que a legenda pode ser deslocada para o fim da ordem de preferência na escolha das presidências, diminuindo suas possibilidades de controlar comissões consideradas estratégicas.

CCJ está entre os principais alvos da disputa

Um dos possíveis impactos da negociação envolve os planos do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que já manifestou interesse em presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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Considerado o colegiado mais importante da Câmara, a CCJ é responsável por examinar a constitucionalidade e a juridicidade de praticamente todas as propostas que passam pela Casa. A comissão integra o conjunto de colegiados permanentes que também inclui áreas como Saúde, Educação, Finanças e Tributação e Segurança Pública.

Esses grupos têm papel central na tramitação legislativa: analisam projetos, discutem propostas, emitem pareceres e podem aprovar determinadas matérias sem que elas precisem passar pelo plenário. Também têm competência para realizar audiências públicas, convocar autoridades e fiscalizar ações do governo.

Tamanho das bancadas define a preferência

O Regimento Interno da Câmara estabelece que a formação das comissões deve observar, tanto quanto possível, a proporcionalidade partidária. Na prática, a quantidade de vagas de cada representação considera o número de deputados que integram a respectiva bancada ou bloco.

A escolha dos presidentes também segue uma ordem de preferência negociada entre as representações partidárias. Dessa forma, os agrupamentos com maior número de parlamentares saem na frente na definição dos colegiados que pretendem comandar.

É justamente esse mecanismo que pode colocar o PL em desvantagem: mesmo tendo conquistado a maior bancada individual nas eleições de 2026, o partido poderá perder capacidade de negociação caso fique isolado enquanto seus adversários políticos atuam em uma aliança numericamente superior.

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Câmara dos Deputados eleições 2026 pl PT

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