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POLÍTICA E FOLIA

Salvador abre Carnaval 2026 sob signo da disputa eleitoral

Momento viabiliza que adversários políticos guardem as espadas para celebrar cultura

Rodrigo Tardio

Por Rodrigo Tardio

11/02/2026 - 7:00 h | Atualizada em 11/02/2026 - 9:10

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Presença dos dois líderes no mesmo metro quadrado, costuma ser um termômetro de popularidade
Presença dos dois líderes no mesmo metro quadrado, costuma ser um termômetro de popularidade -

A quinta-feira de Carnaval em Salvador, que marca a entrega simbólica das chaves da cidade ao Rei Momo, costuma ser o único momento do ano em que adversários políticos guardam as espadas para celebrar a cultura. Contudo, em 2026, o protocolo institucional no Campo Grande, na quinta-feira, 12, a partir das 18h, vai ter uma voltagem extra.

Seguindo a tradição de "paz institucional" que os gestores têm tentado manter para garantir a segurança e o sucesso do evento, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), à convite do gestor municipal, devem dividir o palco para a entrega das chaves da cidade ao Rei Momo.

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A abertura da "maior festa de rua do mundo" vai ser realizada em meio às movimentações decisivas para as eleições de outubro, transformando os circuitos da folia no primeiro grande termômetro das urnas, o que não marca apenas o início da folia, mas também o "pontapé inicial" simbólico de uma das disputas eleitorais mais acirradas das últimas décadas na Bahia.

Apesar dos sorrisos protocolares, a tensão é palpável. O Carnaval é o cenário onde a popularidade é testada no "gogó" do folião, e qualquer vaia ou aplauso ganha contornos de estatística eleitoral.

Este ano de 2026, o tema da festa celebra os 110 anos do samba, com uma abertura focada em artistas do gênero, como Nelson Rufino e Mariene de Castro. Embora o ato seja institucional, a presença dos dois líderes no mesmo metro quadrado é um termômetro de popularidade, onde cada claque tenta medir forças.

Desafiante na avenida

A presença confirmada do ex-prefeito e pré-candidato ao Governo do Estado, ACM Neto (União Brasil), é o elemento que retira o caráter puramente administrativo do evento. Neto, que lidera as articulações da oposição, deve utilizar o Carnaval para reforçar a conexão histórica com a capital. Diferente dos gestores em exercício, que possuem agendas oficiais, Neto deve transitar como o candidato que testa a densidade eleitoral.

ACM Neto e Bruno Reis mantêm uma agenda coordenada que visa fortalecer o grupo político (União Brasil) diante do cenário eleitoral de 2026. Críticas da oposição, como as feitas pelo secretário de Comunicação Nacional do PT, Éden Valadares, sugerem que a estratégia de Neto tem sido manter uma postura de oposição ativa, visitando o interior e a capital para qualificar o debate político.

Enquanto o grupo governista (PT) já definiu a chapa majoritária com Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa, ACM Neto e Bruno Reis utilizam a visibilidade de Salvador e dos eventos para reafirmar a força ou não da gestão municipal.

Polarização

Analistas políticos apontam que 2026 vai ser o ano do "tudo ou nada" para a oposição baiana. Se por um lado o governador Jerônimo conta com a máquina estadual e o apoio do Governo Federal para tentar a reeleição, por outro, a dupla Bruno/Neto tenta provar que o ciclo petista na Bahia, iniciado em 2007, está perto do fim.

A presença de ACM Neto nesse evento específico é um movimento carregado de simbolismo político, transformando um ato tradicional de abertura do Carnaval em um "termômetro" antecipado das eleições estaduais. Mesmo sem cargo oficial, Neto continua sendo a figura central da oposição, e a participação ao lado do prefeito Bruno Reis e do governador Jerônimo Rodrigues cria um cenário de confronto direto de narrativas.

A recente visita do presidente Lula à Bahia, no último dia 6 de fevereiro, marca um movimento estratégico claro para consolidar a base governista no estado e impulsionar a pré-candidatura de Jerônimo Rodrigues à reeleição. A Bahia é considerada o principal "porto seguro" do PT no Brasil, e a presença de Lula busca transferir o capital político para Jerônimo em um cenário que já desenha uma polarização com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.

"O Carnaval de Salvador é um exemplo de política pública que exige interdependência e cooperação intergovernamental. O sucesso do evento depende de como o Estado e o Município fazem convergir as ações, da segurança ao transporte. Essa necessidade operacional torna a presença conjunta das lideranças políticas um elemento natural e indispensável. A estratégia de ACM Neto ao se fazer presente no Carnaval de Salvador é clara: consolidar o capital político na maior vitrine do estado enquanto foca nas grandes cidades baianas, onde a oposição já possui um viés de força eleitoral.

E emendou:

"Salvador, que concentra quase 18% do eleitorado baiano, funciona como o 'recado' definitivo dessa liderança. Ao aparecer ao lado de Bruno Reis, Neto não apenas reforça o domínio histórico na capital, mas sinaliza uma pré-campanha ativa que busca manter a visibilidade em centros urbanos estratégicos", analisa o cientista político Cláudio André.

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Tags:

ACM Neto Bruno Reis Carnaval 2026 eleições bahia Jerônimo Rodrigues

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