ALERTA DA ABIN
Trump nas eleições do Brasil? Relatório secreto acende sinal vermelho
Documento encaminhado ao TSE e ao Planalto adverte sobre ingerência dos EUA no pleito de outubro



Um relatório elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para um “nível de criticidade” os riscos de ingerência externa e de pressões do governo de Donald Trump sobre o Brasil no contexto das eleições de outubro.
O documento, encaminhado no fim de agosto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta uma “escalada de pressão” e uma “reconfiguração da influência exercida pelos EUA”, sem ruptura com padrões históricos de atuação na região.
Segundo o relatório, obtido pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a reafirmação da influência geopolítica norte-americana na América Latina tornou-se prioridade do segundo mandato do republicano.
A estratégia incluiria a contenção do avanço de potências rivais, como a China, e a ampliação da influência dos Estados Unidos sobre países considerados estratégicos.
Brasil entra no radar da Casa Branca
Dentro desse contexto, a Abin avalia que o Brasil ocupa posição central por manter uma política externa com maior grau de autonomia em relação às diretrizes de Washington. O documento aponta que essa postura teria colocado o país no foco de medidas de pressão econômica, comercial e diplomática.
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O relatório menciona ainda a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) junto a integrantes do governo norte-americano como um dos fatores que contribuíram para o aumento das tensões entre os dois países.
De acordo com a análise, a partir de maio houve intensificação das pressões, incluindo discussões sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o que poderia servir de base para medidas administrativas e comerciais.
Marco Rubio ganha destaque no relatório
A Abin também cita declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que, em manifestações no Senado norte-americano, incluiu o Brasil entre os países que apresentariam resistência à liderança dos EUA na América Latina.
O documento afirma que Rubio tem desempenhado papel relevante na condução da política externa para a região e atribui a ele uma atuação marcada por posicionamentos ideológicos e pela defesa de governos alinhados aos interesses de Washington.
Lula rejeita exigências dos Estados Unidos
O relatório registra ainda que o presidente Lula rejeitou propostas e exigências apresentadas pelo governo norte-americano, como a do país não limitar a participação de “dissidentes políticos” nas urnas. O Planalto classificou o pedido encaminhado pela Casa Branca como “arquivo morto” e reafirmou a defesa da autonomia brasileira em temas estratégicos, como recursos minerais e política externa.


