PRECARIEDADE
Veículos do transporte escolar de Ipiaú não tinham cintos e extintores
Relatório detalhou problemas críticos de segurança, como ausência ou danos em cintos de proteção



Uma vistoria realizada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) na frota de transporte escolar de Ipiaú, sul da Bahia, gestão da prefeita Laryssa Dias (PP), acendeu o alerta para as condições de segurança dos estudantes da rede pública municipal.
Sob a condução da promotora de Justiça Caroline Longhi, a fiscalização inspecionou 50 veículos no último dia 19 de junho e constatou que 76% deles — o equivalente a 38 automóveis — apresentavam pendências na documentação, na habilitação dos motoristas ou nas condições físicas de trafegabilidade.
O relatório técnico detalhou problemas críticos de segurança, como ausência ou danos em cintos de proteção, falta de identificação tida como obrigatória para veículos escolares, extintores de incêndio irregulares e condutores sem a documentação exigida para a função.
Frota defasada
A promotora também destacou a alta defasagem da frota: 62% dos utilitários vistoriados possuem mais de 15 anos de uso, com modelos fabricados inclusive em 1997.
Diante do cenário, o MP-BA enviou uma recomendação oficial à Prefeitura de Ipiaú e à Secretaria Municipal de Educação exigindo a adequação imediata das falhas apontadas.
O documento estabelece a necessidade de apresentar dados detalhados sobre condutores e veículos, realizar uma auditoria completa nos contratos vigentes do setor e implementar rotinas de fiscalização a cada três meses.
Para os próximos processos licitatórios, a Promotoria orienta a adoção de critérios técnicos mais rígidos quanto à idade máxima e ao estado de conservação da frota, visando garantir o bem-estar e a proteção dos alunos no trajeto escolar.
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Limpeza pública
O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) notificou formalmente a gestora de Ipiaú, Laryssa Dias (PP), exigindo explicações emergenciais a respeito da contratação da empresa responsável pela limpeza pública na cidade.
O procedimento apura suspeitas de conduta inadequada em um contrato de expressivo impacto orçamentário para o município.
A convocação se estende a outros nomes da gestão municipal e do setor privado: a titular da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Serviços Públicos, Andréa Rebouças Carôzo Suzart; a pregoeira responsável pelo certame, Adeilma Silva Reis; e a própria contratada, a Meta Ambiental Serviços de Limpeza Urbana Ltda.
A atuação do órgão de controle atende a uma solicitação do Ministério Público de Contas (MPC), que identificou possíveis inconsistências na documentação eletrônica referente às contas de 2025. Os indícios levantados põem em xeque a lisura da licitação e a regularidade dos repasses financeiros feitos à prestadora de serviço.
Tramitação e consequências
Os citados têm um prazo de 20 dias corridos, contados a partir da veiculação oficial do ato, para encaminhar justificativas e comprovações por meio do sistema digital do TCM.
A ausência de resposta dentro do limite fixado sujeitará os envolvidos ao julgamento à revelia. Nessa condição, as falhas alegadas pelo MPC passam a ser tidas como verdadeiras, o que pode culminar em sanções financeiras, determinação de devolução de recursos aos cofres públicos e desgaste político para o governo local.
Concluída a etapa de apresentação das defesas, a equipe técnica da Corte vai analisar o material para instruir o relatório final, que vai subsidiar o voto do conselheiro relator e a posterior decisão do colegiado.


