COMBATE AO CRIME
Wagner defende união e rejeita uso político da segurança pública
Senador destacou necessidade de ação conjunta entre União, Estado e município


O combate ao crime organizado no Brasil e na Bahia exige uma atuação articulada e livre de disputas partidárias. A avaliação foi feita pelo senador Jaques Wagner (PT) nesta sexta-feira, 24, em entrevista concedida à Rádio Andaiá FM, de Santo Antônio de Jesus.
Ao analisar os dados recentes de segurança pública, o parlamentar defendeu o fortalecimento da cooperação entre a União, os estados e as prefeituras.
Durante a entrevista, Wagner rechaçou tentativas de partidarizar o tema.
"Se eu quisesse ser leviano, poderia dizer que três dessas cidades são geridas pela oposição, mas falar isso seria simplificar o assunto, porque o problema é estrutural e muito mais profundo. O crime organizado não respeita fronteiras nem partidos", declarou o parlamentar.
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Responsabilidade compartilhada
O senador disse que, mesmo a gestão ostensiva e investigativa da segurança pública seja uma competência prioritária do governo do Estado, a prevenção primária depende diretamente da gestão municipal.
De acordo com Wagner, ações de ordenamento urbano, iluminação pública adequada, programas sociais e o fortalecimento das Guardas Municipais são determinantes para reduzir a vulnerabilidade dos territórios à violência.
Como exemplo prático de cooperação e investimento focado, o parlamentar citou a trajetória de Santo Antônio de Jesus. O município, que já liderou o ranking das cidades mais violentas do estado, ocupa atualmente a 170ª posição.
A mudança de patamar ocorreu após a implantação de estruturas especializadas da Polícia Militar na região, como o Comando de Policiamento Regional (CPR Recôncavo) e a Rondesp.
Apesar dos desafios logísticos e populacionais da Bahia, o estado registrou uma redução de quase 10% nos índices de violência em 2025, resultado superior à média de redução nacional, que ficou em 8,2%.
Foco na inteligência
Na esfera nacional, o senador reforçou o apoio à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e à criação do Ministério da Segurança Pública pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo das medidas é pactuar ações diretas com os 27 governadores do país.
Ao abordar a origem de grandes facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), Wagner ressaltou que tais organizações surgiram em estados historicamente governados pela direita e se expandiram pelo território nacional.
"O crime hoje é uma multinacional do mal. Não se combate isso apenas com o policial na rua, mas atacando onde dói: no bolso do crime organizado, com tecnologia e inteligência cibernética", finalizou o senador.


