MUDANÇA NA ROTINA
Arena Nº1 Brahma em Salvador causa transtornos e reclamações
Pedestres relatam aumento no tempo de caminhada e risco em calçadas na Praça Maria Felipa


A instalação da estrutura montada para a transmissão dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da FIFA tem provocado mudanças significativas e gerado reclamações na rotina de quem circula diariamente pela Praça Maria Felipa, localizada na região do Comércio, em Salvador.
Pedestres relataram ao Grupo A TARDE problemas como o aumento no tempo de deslocamento, dificuldade de orientação espacial e mudanças repentinas nos pontos de parada de ônibus desde a construção da chamada Arena Nº1 Brahma.
Embora o espaço tenha sido inaugurado oficialmente no dia 13 de junho, coincidindo com a estreia do Brasil na competição, os cidadãos afirmam que as alterações e os transtornos na circulação viária começaram a ser percebidos há cerca de 15 dias.
Trajetos mais longos e riscos na calçada
Os principais impactos apontados pelos transeuntes dizem respeito ao bloqueio total da praça, o que tem forçado a realização de percursos muito mais longos para acessar pontos importantes da região.
De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, quem precisa se deslocar a pé pelo Comércio agora é obrigado a contornar áreas próximas ao Mercado Modelo para conseguir chegar ao destino final.
Além do aumento do tempo de caminhada, os relatos apontam que as instalações impuseram riscos de segurança devido ao encurtamento drástico da calçada, uma vez que a estrutura impede a circulação regular sobre o calçamento original.
Insegurança e desorientação no transporte público
Outro gargalo crítico está na alteração das rotas do transporte público. A frentista Gisele Evangelista relatou à reportagem que o ponto de ônibus passou a parar mais distante do seu local de trabalho, ampliando o trajeto a pé tanto na ida quanto na volta.
O problema ganha contornos mais preocupantes no período da noite, quando os trabalhadores se veem forçados a caminhar por áreas com pouca iluminação e baixa movimentação.
“Tanto na vinda quanto na inda pra casa, o entorno ficou muito complicado. Já tem uns 15 dias isso, ou mais que tá horrível mesmo. Tem que fazer a volta lá embaixo, na parte de trás do Mercado Modelo, e quando a gente sai dez horas da noite aqui fica super deserto”, desabafou a trabalhadora.
A desorientação também atinge os condutores. Motoristas relataram confusão em relação às sinalizações provisórias da estrutura. Um condutor relatou que, após deixar o veículo estacionado nas proximidades do Elevador Lacerda, acabou percorrendo um caminho muito maior do que o necessário ao se confundir com os bloqueios físicos instalados nas vias da região.
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Sem previsão de retorno à normalidade no Comércio
Apesar da expectativa de movimentação econômica e do clima de lazer gerados pela transmissão das partidas de futebol, os entrevistados reforçam que o impacto negativo na mobilidade urbana tem sido o principal desafio enfrentado no bairro desde o início da montagem das estruturas.
Até o momento, não há uma previsão oficial divulgada para a retirada da Arena. Como a permanência do espaço festivo está diretamente atrelada ao desempenho e à realização dos jogos da Seleção Brasileira na competição, a desmontagem completa e a liberação das vias devem ocorrer apenas após o encerramento definitivo das atividades do evento esportivo.
O Grupo A TARDE entrou em contato com a Prefeitura de Salvador e com a Ambev, patrocinadora do evento e responsável pela Arena Nº1 Brahma, para solicitar esclarecimentos sobre os impactos na mobilidade e se há previsão de reordenamento do tráfego ou das calçadas na região. Até a publicação desta matéria, não houve retorno de nenhuma das partes. O espaço segue aberto para manifestações.
* Com informações de Rodolfo Guimarães.


















