MEMÓRIA E PATRIMÔNIO
Elevador Lacerda pode mudar de nome? Entenda investigação do MP-BA
Equipamento pode ter nome ligado a pessoa envolvida com a escravidão


O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu uma investigação para apurar a origem histórica do nome Elevador Lacerda, um dos principais cartões-postais de Salvador.
A apuração busca verificar se existem registros históricos ou documentos que relacionem Antônio de Lacerda, homenageado no nome do equipamento, à escravidão ou a estruturas escravocratas.
A investigação foi instaurada pela 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos em 5 de agosto e está sob responsabilidade da promotora Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz.
Além de apurar a origem da denominação, o Ministério Público pretende avaliar os possíveis impactos patrimoniais, culturais, urbanísticos e simbólicos de uma eventual mudança do nome.
O que pode acontecer com o nome?
A Promotoria avalia duas frentes de ação caso a ligação com a escravidão seja confirmada:
- Mudança do nome: substituição da denominação atual por outra que represente novos valores ou homenageie figuras ligadas à resistência e à luta pela liberdade.
- Contextualização histórica: manutenção do nome, mas com a instalação de placas, memoriais ou outras ações educativas que expliquem quem foi o homenageado e o contexto histórico da época.
Caso seja necessária a mudança de nome, o MP-BA ainda não informou como uma nova denominação seria escolhida.
O processo poderá envolver a participação da população ou depender de projetos de lei apresentados por vereadores ou deputados e aprovados pelo Legislativo competente.
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Por que o nome está sendo investigado?
O Elevador Lacerda foi inaugurado no século XIX e se tornou um dos principais símbolos de Salvador. O equipamento liga a Cidade Alta à Cidade Baixa e faz parte do conjunto histórico do Centro da capital baiana.

O nome homenageia o engenheiro Antônio de Lacerda, idealizador da obra, e a família dele, incluindo o pai, o empresário e comendador português Antônio Francisco de Lacerda.
Registros e pesquisas históricas apontam que parte da riqueza da família, utilizada para financiar e viabilizar o empreendimento, pode ter sido acumulada por meio do tráfico ilegal de africanos escravizados.
Foi nesse contexto que o MP-BA iniciou a investigação para verificar se existem documentos que comprovem uma relação da família Lacerda com a escravidão e avaliar os possíveis impactos de uma eventual mudança ou contextualização histórica do nome.


