SUPERFATURAMENTO
TCM determina suspensão de cachê de Nattanzinho Lima em Itaberaba
Mais quatro artistas foram advertidos pela Corte de Contas


O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) atendeu a uma determinação do Ministério Público da Bahia (MPBA) e determinou que a Prefeitura de Itaberaba suspenda pagamentos de cachês com indícios de superfaturamento de artistas contratados para o "Arraiá de ITA", a festa de São João do município.
De acordo com a decisão cautelar do conselheiro Nelson Pellegrino, o órgão identificou que a gestão do prefeito João Filho (PSD) planejava gastar R$ 3,92 milhões com apenas cinco atrações, aplicando reajustes abusivos e muito acima da inflação em relação a 2025.
Um dos contratos com valor suspeito é o do cantor de arrocha e piseiro, Nattanzinho Lima, que neste ano determinou o cachê de R$ 850 mil, sendo que na média de 2025 as apresentações tinham um custo médio de R$ 610 mil, uma diferença de 33,48%. A Nota Técnica Conjunta de 2026 limita os valores dos contratos juninos à média do ano anterior corrigida pelo IPCA (4,39%).
Além dele, também estão sob suspeita os contratos de Rey Vaqueiro de R$ 500 mil, Eric Land (R$ 280 mil), Vitor Fernandes (R$ 300 mil) e Xinela de Couro (R$ 90 mil).
Leia Também:
Incompatibilidade
Foi destacado ainda o grave descompasso entre os gastos milionários com os cinco dias de festa e a realidade financeira de Itaberaba.
O município acumula uma dívida superior a R$ 27 milhões com a Receita Federal, além de fechar o primeiro quadrimestre de 2026 com mais de R$ 6,7 milhões em despesas liquidadas e não pagas, o que coloca em risco serviços essenciais de saúde e educação.
A liminar obriga a prefeitura a reduzir os repasses ao teto corrigido pela inflação. O prefeito e as produtoras artísticas foram notificados e têm 20 dias para apresentar defesa.


